quinta-feira, 22 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Algumas fotografias dos cenários de "Os diários da mulher Peter Pan"
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Isla de la Plata: "Nada mais caracterizava esta ilha, a não ser talvez também uns pássaros de pés azuis que por ali passeavam, com um ar bastante simpático e pacato, que construíam os seus ninhos na terra e caminhavam ao lado das pessoas.Surpreendeu-se com estas aves, e nesse instante algo acordo no íntimo de si, um desejo de ser como elas (...)"

Amazónia Equatoriana: "Propagando-se ao infinito, até o olhar humano não poder mais alcançar, estendia-se um interminável tapete verde de copas de árvores,de onde saíam folhas de vários tipos, pequenas, grandes, ou em forma de palmeira. Alguns altos e baixos deixavam adivinhar ligeiros relevos, mas nem um palmo de terra se avistava, nem uma casa."

Popayan: "Numa das paredes um enorme grafitti gritava "Uribe assessino. Abajo el gobierno paramilitar de Uribe" Quem teria escrito aquilo? As FARC, um militante de extrema-esquerda, ou simplesmente um qualquer estudante revoltado contra o presidente?"

Tierradentro: "Do seu topo contemplaram as montanhas em volta, que pareciam imaculadas, virgens, intocadas de qualquer civilização humana, e impassivelmente imunes a todo o seu progresso. Com efeito, parte desta vegetação permanecia ainda nesses dias primária, e abrigava bastantes animais selvagens."

Bogotá, La Candelaria: "Todos os dias trilhava os passeios, descobrindo coisas novas. Caminhava até não mais poder nas pernas e se perder, para logo se reencontrar."

Tribo Kogui, Santa Marta: "Alguns índios construíam ali as suas casas. Eram pequeninas estas pessoas com pouco mais de metro e meio, que as examinavam desconfiadas enquanto iam às suas vidas."

Parque Tayrona: "Era uma junção entre a selva e o mar, em que as falésias cortavam furiosamente as ondas como se os dois elementos travassem, neste canto do mundo, uma luta secreta e privada pelo seu território em mutação."

Medanos de Couro, Venezuela: "Levantou-se ainda meio estonteada e caminhou na sua direcção, escorregando e enterrando-se a cada passada. Alcançou-a, e continuaram as duas lado a lado, num passo lento de astronauta em direcção ao pôr-do-sol. O laranja do crepúsculo espalhava-se preguiçosamente pela areia, reflectindo-se rebolando nos seus grãos e fazendo-os reluzir, num contraste cromático com o azul moreno do céu a meio gás."

Isla de la Plata: "Nada mais caracterizava esta ilha, a não ser talvez também uns pássaros de pés azuis que por ali passeavam, com um ar bastante simpático e pacato, que construíam os seus ninhos na terra e caminhavam ao lado das pessoas.Surpreendeu-se com estas aves, e nesse instante algo acordo no íntimo de si, um desejo de ser como elas (...)"

Amazónia Equatoriana: "Propagando-se ao infinito, até o olhar humano não poder mais alcançar, estendia-se um interminável tapete verde de copas de árvores,de onde saíam folhas de vários tipos, pequenas, grandes, ou em forma de palmeira. Alguns altos e baixos deixavam adivinhar ligeiros relevos, mas nem um palmo de terra se avistava, nem uma casa."

Popayan: "Numa das paredes um enorme grafitti gritava "Uribe assessino. Abajo el gobierno paramilitar de Uribe" Quem teria escrito aquilo? As FARC, um militante de extrema-esquerda, ou simplesmente um qualquer estudante revoltado contra o presidente?"

Tierradentro: "Do seu topo contemplaram as montanhas em volta, que pareciam imaculadas, virgens, intocadas de qualquer civilização humana, e impassivelmente imunes a todo o seu progresso. Com efeito, parte desta vegetação permanecia ainda nesses dias primária, e abrigava bastantes animais selvagens."

Bogotá, La Candelaria: "Todos os dias trilhava os passeios, descobrindo coisas novas. Caminhava até não mais poder nas pernas e se perder, para logo se reencontrar."
Tribo Kogui, Santa Marta: "Alguns índios construíam ali as suas casas. Eram pequeninas estas pessoas com pouco mais de metro e meio, que as examinavam desconfiadas enquanto iam às suas vidas."
Parque Tayrona: "Era uma junção entre a selva e o mar, em que as falésias cortavam furiosamente as ondas como se os dois elementos travassem, neste canto do mundo, uma luta secreta e privada pelo seu território em mutação."
Medanos de Couro, Venezuela: "Levantou-se ainda meio estonteada e caminhou na sua direcção, escorregando e enterrando-se a cada passada. Alcançou-a, e continuaram as duas lado a lado, num passo lento de astronauta em direcção ao pôr-do-sol. O laranja do crepúsculo espalhava-se preguiçosamente pela areia, reflectindo-se rebolando nos seus grãos e fazendo-os reluzir, num contraste cromático com o azul moreno do céu a meio gás."
terça-feira, 6 de julho de 2010
O primeiro (dia do resto da tua vida)
Foi em Janeiro do ano passado que tomei a decisão de me dedicar à escrita, iniciando assim o conturbado caminho que levou a este primeiro pequeno e radioso monte de folhas e letras que agora se pode ver.
Estava nesse momento a viver em Amesterdão há alguns meses, completando o trimestre num Mestrado em Direito Internacional. E preparava-me para dar à minha família a noticia mais trágica das suas vidas: afinal a sua querida filhinha já não ia ser advogada, iria sim trabalhar na recepção de um hotel de duas estrelas, e escrever um livro ao mesmo tempo.
Apesar de ter sido útil em termos de formação, é engraçado como sempre encarei o Direito com um certo fatalismo: não era uma área que desejasse necessariamente seguir, mas na qual me arrastava um pouco por inércia, um pouco por pressão familiar. Sempre soube que queria escrever, deixando-me no entanto levar por aquela ideia muito presente entre nós que nos leva a optar por uma base profissional segura, mesmo que a odiemos de morte. E depois, nos tempos livres, se tivermos tempo, aí sim dedicamos um pouco do nosso tempo a fazer o que realmente gostamos. Diz-se muito em Portugal que “ninguém faz o que quer”, e somos levados a acreditar que isso é realmente verdade. Seria?
Acabados os estudos percebi finalmente que o Mundo tinha muito mais para oferecer do que aquilo que eu julgava. Quatro meses a servir à mesa em França e outros sete a viajar pela América do Sul talvez tivessem ajudado à causa. Deparei-me com lugares nunca dantes imaginados, e percebi quão redutor é esse conceito de vida “estável” que predomina entre nós. E as pessoas que conheci... Um que largou tudo para construir um hostel na costa caribenha Colombiana, outro que dava a volta ao Mundo de prancha de Surf, outra que vendia artesanato descalça pelas praias da Venezuela fora… Se estas pessoas tinham modos de vida tão diferentes e eram felizes, o que me impediria a mim de me dedicar de vez àquilo que realmente me dava prazer?
Ainda não completamente convencida, o Mestrado em Amesterdão foi um meio-termo entre fugir à rotina, mas ainda sem coragem para mudar radicalmente. Cedo percebi que era nesta cidade que estava o empurrãozinho que faltava. À minha volta pululavam pessoas energéticas e apaixonadas, que desenvolviam projectos nos quais acreditavam e que estavam dispostos a seguir até ao fim (pasme-se: a maior parte delas gostava, e estava mesmo fascinada, por certas áreas do Direito). E eu, porque continuava ainda a investir numa coisa que não me dava prazer? Não seria melhor admitir de vez o que queria fazer e colocar nisso todo o meu trabalho?
Percebi que a recepção de um hotel seria o lugar ideal para me documentar e começar a esboçar o que seria “Os diários da mulher Peter Pan”. Durante cinco meses trabalhei a tempo inteiro na recepção de um sítio manhoso rodeada de personagens sinistras; chegava a casa tarde para ainda ir ler, escrever, e atender chamadas desesperadas da minha família tentando convencer-me a não largar o Direito (essa “carreira de futuro resplandecente” que eu estava “a dois passos de atingir”…). Durante outros seis meses trabalhei a tempo inteiro num bar, enquanto de dia escrevia. Finalmente, chegada a Lisboa, estive ainda mais tempo a escrever, enviar o livro para editoras, reescrever, fazer cursos de escrita… Resisti a muita pressão por parte daqueles que me rodeavam, e aprendi a apenas dar ouvido ao pequeníssimo número dos que me apoiaram. Digo isto apenas porque acho importante partilhar de onde veio este livro, o enorme esforço que está por detrás dele e que faz que hoje em dia a sua publicação tenha um sabor muito especial.
Claro que é ainda apenas um livro. É muito provável que amanhã ainda volte a servir hambúrgueres e lavar chãos até às 3 da manhã para depois escrever durante o dia. Ainda falta muito trabalho para conseguir viver apenas da escrita. Mas acredito que é possível. Afinal, hoje é apenas o primeiro…
Estava nesse momento a viver em Amesterdão há alguns meses, completando o trimestre num Mestrado em Direito Internacional. E preparava-me para dar à minha família a noticia mais trágica das suas vidas: afinal a sua querida filhinha já não ia ser advogada, iria sim trabalhar na recepção de um hotel de duas estrelas, e escrever um livro ao mesmo tempo.
Apesar de ter sido útil em termos de formação, é engraçado como sempre encarei o Direito com um certo fatalismo: não era uma área que desejasse necessariamente seguir, mas na qual me arrastava um pouco por inércia, um pouco por pressão familiar. Sempre soube que queria escrever, deixando-me no entanto levar por aquela ideia muito presente entre nós que nos leva a optar por uma base profissional segura, mesmo que a odiemos de morte. E depois, nos tempos livres, se tivermos tempo, aí sim dedicamos um pouco do nosso tempo a fazer o que realmente gostamos. Diz-se muito em Portugal que “ninguém faz o que quer”, e somos levados a acreditar que isso é realmente verdade. Seria?
Acabados os estudos percebi finalmente que o Mundo tinha muito mais para oferecer do que aquilo que eu julgava. Quatro meses a servir à mesa em França e outros sete a viajar pela América do Sul talvez tivessem ajudado à causa. Deparei-me com lugares nunca dantes imaginados, e percebi quão redutor é esse conceito de vida “estável” que predomina entre nós. E as pessoas que conheci... Um que largou tudo para construir um hostel na costa caribenha Colombiana, outro que dava a volta ao Mundo de prancha de Surf, outra que vendia artesanato descalça pelas praias da Venezuela fora… Se estas pessoas tinham modos de vida tão diferentes e eram felizes, o que me impediria a mim de me dedicar de vez àquilo que realmente me dava prazer?
Ainda não completamente convencida, o Mestrado em Amesterdão foi um meio-termo entre fugir à rotina, mas ainda sem coragem para mudar radicalmente. Cedo percebi que era nesta cidade que estava o empurrãozinho que faltava. À minha volta pululavam pessoas energéticas e apaixonadas, que desenvolviam projectos nos quais acreditavam e que estavam dispostos a seguir até ao fim (pasme-se: a maior parte delas gostava, e estava mesmo fascinada, por certas áreas do Direito). E eu, porque continuava ainda a investir numa coisa que não me dava prazer? Não seria melhor admitir de vez o que queria fazer e colocar nisso todo o meu trabalho?
Percebi que a recepção de um hotel seria o lugar ideal para me documentar e começar a esboçar o que seria “Os diários da mulher Peter Pan”. Durante cinco meses trabalhei a tempo inteiro na recepção de um sítio manhoso rodeada de personagens sinistras; chegava a casa tarde para ainda ir ler, escrever, e atender chamadas desesperadas da minha família tentando convencer-me a não largar o Direito (essa “carreira de futuro resplandecente” que eu estava “a dois passos de atingir”…). Durante outros seis meses trabalhei a tempo inteiro num bar, enquanto de dia escrevia. Finalmente, chegada a Lisboa, estive ainda mais tempo a escrever, enviar o livro para editoras, reescrever, fazer cursos de escrita… Resisti a muita pressão por parte daqueles que me rodeavam, e aprendi a apenas dar ouvido ao pequeníssimo número dos que me apoiaram. Digo isto apenas porque acho importante partilhar de onde veio este livro, o enorme esforço que está por detrás dele e que faz que hoje em dia a sua publicação tenha um sabor muito especial.
Claro que é ainda apenas um livro. É muito provável que amanhã ainda volte a servir hambúrgueres e lavar chãos até às 3 da manhã para depois escrever durante o dia. Ainda falta muito trabalho para conseguir viver apenas da escrita. Mas acredito que é possível. Afinal, hoje é apenas o primeiro…
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Chega amanhã às lojas o romance "Os diários da mulher Peter Pan"

Sinopse:
Diana leva uma vida monótona com a família no centro de Lisboa. Em plena crise da meia-idade, ela é constantemente assolada por dúvidas em relação ao rumo da própria existência, que se agravam quando se vê obrigada a viajar para o Equador em negócios. Desadaptada e infeliz, assombrada por tendências depressivas, faz planos para regressar o mais depressa possível a casa.
Um grave acidente ao qual sobrevive milagrosamente, salva por uma tribo em plena Amazónia, produz uma revolução na sua maneira de ser, levando-a a ficar. Wendy, uma estranha e misteriosa jovem que se torna na sua companheira de viagem, arrasta-a então por aventuras inesperadas. Equador, Colômbia e Venezuela; três cenários tão maravilhosos quanto agressivos que a transportam para uma outra vida em que tudo pode acontecer, desde as teias do narcotráfico colombiano, aos meandros da política venezuelana. Esta é a história de uma mulher que nasce pela segunda vez, redescobrindo ingénuamente o mundo que encontrou à sua espera, decifrando-o com olhos de criança.
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