Nina é uma deprimida e solitária bailarina obcecada pelo trabalho que, incompreensivelmente, ainda mais abatida fica quando percebe que acabou de ser escolhida para o papel sonhado por qualquer profissional do seu ramo. Em vez de se alegrar por atingir o auge da sua carreira, passa o tempo inteiro com cara de susto e de choro. A partir daí, como se percebe, o ambiente só poderia ficar ainda mais pesado. Surgem então vários personagens que se vêm juntar à festa. Um professor tarado sexual com fetiches sádico-controladores, uma mãe dominadora com passatempos bizarros, e uma colega junkie-lésbica que não olha a meios para lhe conseguia roubar o lugar. Às tantas, percebe-se que Nina sofre do que seria clinicamente definido por esquizofrenia. As suas alucinações consistem essencialmente em ouvir vozes e ver partes do seu corpo esvaírem-se em sangue. Mais nada? Claro que sim. Muito e muito mais, ao ponto de sairmos da sala a achar que o mundo não tem solução, e a vida é um grande poço vazio sem fundo. Mas seria indelicado revelar demasiado aos que ainda pretendem assistir a esta tão reputada película. Resta-me apenas fazer uma observação, para aqueles que depois disto optarão por uma comédia light da próxima vez que forem ao cinema, mas que mesmo assim gostariam de saber um pouco mais sobre o filme, para o poderem discutir no seu círculo de amigos: sangue, sexo, e alucinações. São estas as palavras-chave, e tudo o que precisam de saber sobre O Cisne Negro.
Percebo que o objectivo tenha sido o de expor o “lado negro” do mundo do ballet. Temo, no entanto, que o realizador tenha ido um pouco longe demais.
Estou plenamente consciente do risco de com isto vir a ser detestada pelos intelectuais da sétima arte, que considerem este um filme visualmente espectacular, e o desempenho da actriz principal como sendo magnífico. Não digo que não. Afinal, sou tudo menos uma especialista, e admito que a minha sensibilidade dentro do género possa ser demasiado rudimentar, ao ponto de preferir o entretenimento sobre a inatingível peça artística, destinada apenas às elites mais iluminadas. Apenas digo é que talvez seja melhor assistir-se ao mesmo acompanhado de uma garrafa da Vodka, ou uma carteira de Prozac.

