Chegando ao nono ano, e vendo que os pais não lhe podiam dar a possibilidade de prosseguir os estudos, Sofia entrou como empregada numa cadeia de fast-food. Trabalhava as 40 horas semanais, 50, às vezes, para ganhar 500 euros.
Aos 17, e embora estivesse a tomar a pílula contraceptiva, uma gravidez inesperada e um futuro filho que não podia sustentar obrigou-a a fazer um aborto numa clínica ilegal, graças ao qual uma complicação lhe tirou para sempre a possibilidade de engravidar.
Percebeu que a sua carreira só progrediria se adquirisse mais educação. Mas a restauração, como se sabe, quase não permite horários "normais". Aos 30, e com um pouco mais de tempo, resolveu começar a completar uma formação profissional. Hoje, é gerente de loja, e recebe finalmente os tão almejados 700 euros.
Sofia é, para uns, apenas uma caricatura. Mas cruzo-me todos os dias com ela na rua. Pode não ser tão trabalhadora, ou perseverante. Pode ter sido uma aluna mediana. Pode até ter sido medíocre. Mas se como eu, e outros tantos conhecidos, tivesse nascido num meio economico-social favorável, poderia ser CEO de uma empresa, e ganhar meio milhão de euros por ano. Podia, não estou a dizer que o fizesse. Podia, mas não poderá. Podia ainda , apesar disso, estar a fugir aos impostos, e ainda a pressionar governos para ser ainda menos tributada nas suas actividades, e distribuir prémios milionários sem razão aparente. Podia estar a dizer que tudo o que tinha fora conseguido através do mérito. Mas, provavelmente (salvo honrosas excepções) não seria só mérito, mas também o facto de ter nascido no lugar certo à hora certa.
O dinheiro está cá, Portugal é um dos países da Europa onde é mais fácil fazer (muito) dinheiro. É também fácil esbanjá-lo, em obras públicas que só aproveitam a quem as constrói. Só não está nos lugares certos.
Com este novo governo, mais do que nunca, cada um vai "ganhar o que merece", ou seja, segundo a lógica neo-liberal (mascara atrás da qual se esconde muitas vezes o maior conservadorismo), consoante a procura no mercado para o serviço que presta, sem regras nem limites. É muito fácil fazer dinheiro, só é preciso é ter bastante para começar.
As pessoas qualificadas ganham mais do que as outras, e ainda bem. Há que estimular a economia nesse sentido. Apenas defendo limites para esses ganhos, uma tributação justa e proporcional, que permita um amparo mínimo a quem mais precisa para sobreviver. Não é nada de novo, apenas o é neste pais.
Tanto eu, como muitos ex-colegas de curso, nunca teríamos conseguido pagar os estudos se não fosse a ajuda dos nossos pais, ou seja, se não tivéssemos nascido numa estrutura económica suficientemente sustentada, que nos permitiu acesso a uma carreira mais remunerada. Noutros países teríamos acesso privilegiado à saúde, ajudas na educação e na renda da casa; mas cá não. Se não fossem os pais desses meus colegas, metade deles estaria a lavar pratos na pizza hut. Mas hoje escolheram virar as costas e fechar os olhos, num negacionismo egoísta que só se entende como sendo uma cegueira social absoluta, própria de país em que o tão ultrapassado conceito de "classes" ainda existe. Só se entende porque, para eles, Sofia é apenas um número, e não uma pessoa real.
Para muita gente, se Sofia for despedida e não conseguir outro emprego tão cedo, é só mais uma "preguiçosa" que "apenas não quer trabalhar". Se estiver dois anos numa lista de espera de um hospital público será por culpa própria, porque “quer chular o sistema”. O seu diploma, como o disse o novo Primeiro Ministro, é um “certificado de ignorância”. O azar de ser mulher numa sociedade ainda um pouco machista e de não poder sustentar um filho é um “crime contra a vida” (como defende o futuro ministro Paulo Portas).
A precariedade de Sofia, e o facto de não ter estudado, vai impedi-la de contribuir em toda a sua capacidade para o crescimento económico do país. Sim, o corte nos ditos “chupistas” e “inúteis da sociedade” só os vai tornar mais dependentes. Não é preciso ir muito longe, veja-se o exemplo da Grécia.
Liberalizar pode ser positivo quando é feito com moderação, em certas áreas, pois leva a uma evolução qualitativa, própria da concorrência saudável. Selvaticamente, porém, apenas contribuirá para uma sociedade mais desigual, com (ainda) menos igualdade de oportunidades. Estará tudo bem para quem tem sorte, mas quem não tem, tivesse. Bem vindos ao país mais africano da Europa.
domingo, 12 de junho de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Viagem a Portugal

“Hu-ho...” – naquela noite a entrada do cinema São Jorge estava literalmente apinhada de gente. Gente as escadas, gente na fila para os bilhetes, e mais gente a correr para as salas. Era um sinal apocalíptico, mas no bom sentido. Ninguém queria perder o Indie.
No vidro da bilheteira, um papel colado com fita-cola anunciava: “Viagem a Portugal – Esgotado”. Decepcionada, conformei-me a folhear o programa do festival, para os dias que se seguiam, na esperança de encontrar algo que despertasse o meu interesse. Mas nada. No que ao cinema independente diz respeito, é difícil, concluo, não cair no chavão sex-drugs de que já estamos um pouco saturados.
E eu queria tanto ver este filme...
Até que dois miúdos com ar de rufias simpáticos me abordam com um sorriso na cara: “Quer bilhetes para o Viagem a Portugal?” Pergunta de rompante um deles. “Quero – respondo – mas quanto custa?” Preparava-me para dar corda às minhas bargaining skills, quando compreendo que não tenho de pagar nada, já que um dos miúdos era protagonista no filme. No cinema independente, é o que dizem, os artistas estão mais próximos do público.
Em Viagem a Portugal, Sérgio Treffaut mostra-nos o drama de uma mulher ucraniana que, aquando de um voo Kiev – Faro, é detida pelos serviços da guarda fronteiriça. Aí inicia-se um longo processo de interrogatório no qual Maria, a protagonista (interpretada por Maria de Medeiros) vai pouco a pouco entrando num ciclo de desespero e confusão, induzido pelo comportamento inflexível dos guardas. À trama junta-se o seu marido senegalês (Makena Diop), médico formado na Ucrânia, agora suspeito de tráfico humano e lenocínio.
É uma longa-metragem esteticamente perfeita, ajudada pela interpretação brilhante dos protagonistas principais, sobretudo a de Maria de Medeiros. Nota-se um empenho especial nos detalhes: um cenário limpo e despido de humanidade, em que cada objecto tem o seu peso especifico, a expressão facial e corporal dos actores, cujo físico parece ter sido criteriosamente escolhido para cada papel. Nos diálogos, não falta uma certa ironia que lhes confere um tom quase humorístico; e que revela bem a incompreensão e comunicação falhada entre ambas as partes, portuguesa e ucraniana.
Tem algumas falhas, como a má qualidade de alguns actores secundários (estou a falar dos guardas de serviço, que tanto podiam estar ali como num anúncio ao Tide Máquina), e uma ou outra distracção (as matrículas dos carros, por exemplo, são actuais, sendo que o filme se passa em 1997). No entanto, tudo isso acaba por passar de um certo modo despercebido, à medida que o espectador mergulha num autêntico poço de emoções: raiva, frustração, esperança. A empatia com Maria é obvia mas, graças à mudança de planos e à repetição de certas cenas, o realizador consegue mostrar o ponto de vista de cada um dos protagonistas, o que nos obriga a pôr certas coisas em perspectiva.
Treffaut baseou-se, para criar esta longa-metragem, na história real da sua professora de Russo. Assim sendo a mesma serve também para nos alertar para uma certa realidade, que nos pode ser invisível, mas que está quotidianamente presente. No mundo da globalização, é importante ver como, em certos casos, o preconceito e a ignorância continuam a triunfar.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Os Portugais
Lisboa, hoje, tem uma onda de estranheza no ar. Por onde se anda persegue-nos o bafejo cinzento e pesado da depressão económica, e a tristeza estampada na pose cabisbaixa das pessoas.
A nós, pedem-nos que estejamos unidos. Mas unidos em quê. Parafraseando um comentador, é impossível haver coesão nacional enquanto tivermos alguns dos salários mais baixos da Europa, e em comparação fortunas pornográficas que faltam em ser taxadas, corrupção, enquanto que a outros lhes roubam as pensões de 200 euros. Sendo assim, unidos em quê?
Mas Portugal obedece, e une-se. Une-se para fingir que não se passa nada, e assobiar para o lado, eternamente conformado; não vendo que noutros países mesmo aqui ao lado, as nossas condições laborais seriam alegremente apelidadas de trabalho escravo. Mas Portugal não grita. Cala-se e tenta consolar-se com frases como “andámos a viver acima das nossas possibilidades” e “com a crise, vai ser mais difícil para todos”; sabendo bem que isso não é verdade. A maioria paga por algo que nunca fez.
Mas sempre foi assim, Portugal. Apesar de termos vivido uma revolução, ainda somos o pais que vive das aparências, com medo de ficar mal na fotografia. Somos o país em que só contam alguns, e o resto trota pelos interstícios da vida como gente invisível. Quem serve cafés ou varre ruas é desprezado, porque aqui não se valoriza o esforço mas sim o estatuto e a posição pré-adquirida de cada um. Não interessa recompensar o trabalhador, mas sim dar graxa ao patrãozinho, para que da próxima vez nos pague um almoço. Somos a terra do respeitinho-pelo-senhor-doutor e do vou-me-calar-para-não-perder-o-que-tenho.
Já trabalhei como empregada de mesa em França e na Holanda, e nunca pensei por um segundo que isso colocasse qualquer espécie de problema. Mas mal cheguei a Portugal, levei com reacções de histéricos, que aos altos berros diziam “Que não é vergonha nenhuma! Que não é vergonha nenhuma!!” Vergonha? Nesses países todos servem à mesa, desde o emigrante africano ao estudante de medicina. Não, não é nenhuma “vergonha”; é apenas uma maneira rápida e eficaz de ganhar um dinheiro extra. Mas aqui é impensável. Podemos morrer à fome, mas tudo estará bem desde que os nossos amigos não venham a saber de nada.
Ficamos sossegados, no nosso canto, a ser enxovalhados pelo resto da Europa, que nos chama preguiçosos e faz entender que, se estamos assim, é por culpa nossa. “Nossa” entenda-se: “os portugueses” - e não “quem dirigiu Portugal nos últimos tempos” – isto porque, para algumas “elites europeias”, estrelas de telejornal, a questão racial ainda continua a ser índice de alguma coisa, como nos bons tempos nazis. Os povos do Sul, por definição dessas mentes iluminadas, são preguiçosos e não gostam de trabalhar (aposto que trabalharíamos tão bem ou melhor, se as nossas condições fossem sequer parecidas com as da Alemanha).
Cartazes na rua gritam: impostos sobre as grandes fortunas, uma maior taxação da banca. Um dos partidos que realmente luta pelos trabalhadores é o mesmo que se recusa a aparecer nas negociações com o FMI, num instinto básico de casmurrice infantil, que no fundo me faz questionar onde está realmente essa esquerda renovada. Ela optou pela solução mais fácil, de virar as costas e não dar a cara por ninguém a não ser ela própria.
Ironicamente, em Portugal, esta é a meu ver a melhor altura para mostrarmos o que valemos. Uma nação de poetas, revolucionários, fadistas, aventureiros. Que não se deixa derrotar, e luta pelos seus direitos. E que quando bate no fundo, pontapeia o chão para regressar à superfície.
A nós, pedem-nos que estejamos unidos. Mas unidos em quê. Parafraseando um comentador, é impossível haver coesão nacional enquanto tivermos alguns dos salários mais baixos da Europa, e em comparação fortunas pornográficas que faltam em ser taxadas, corrupção, enquanto que a outros lhes roubam as pensões de 200 euros. Sendo assim, unidos em quê?
Mas Portugal obedece, e une-se. Une-se para fingir que não se passa nada, e assobiar para o lado, eternamente conformado; não vendo que noutros países mesmo aqui ao lado, as nossas condições laborais seriam alegremente apelidadas de trabalho escravo. Mas Portugal não grita. Cala-se e tenta consolar-se com frases como “andámos a viver acima das nossas possibilidades” e “com a crise, vai ser mais difícil para todos”; sabendo bem que isso não é verdade. A maioria paga por algo que nunca fez.
Mas sempre foi assim, Portugal. Apesar de termos vivido uma revolução, ainda somos o pais que vive das aparências, com medo de ficar mal na fotografia. Somos o país em que só contam alguns, e o resto trota pelos interstícios da vida como gente invisível. Quem serve cafés ou varre ruas é desprezado, porque aqui não se valoriza o esforço mas sim o estatuto e a posição pré-adquirida de cada um. Não interessa recompensar o trabalhador, mas sim dar graxa ao patrãozinho, para que da próxima vez nos pague um almoço. Somos a terra do respeitinho-pelo-senhor-doutor e do vou-me-calar-para-não-perder-o-que-tenho.
Já trabalhei como empregada de mesa em França e na Holanda, e nunca pensei por um segundo que isso colocasse qualquer espécie de problema. Mas mal cheguei a Portugal, levei com reacções de histéricos, que aos altos berros diziam “Que não é vergonha nenhuma! Que não é vergonha nenhuma!!” Vergonha? Nesses países todos servem à mesa, desde o emigrante africano ao estudante de medicina. Não, não é nenhuma “vergonha”; é apenas uma maneira rápida e eficaz de ganhar um dinheiro extra. Mas aqui é impensável. Podemos morrer à fome, mas tudo estará bem desde que os nossos amigos não venham a saber de nada.
Ficamos sossegados, no nosso canto, a ser enxovalhados pelo resto da Europa, que nos chama preguiçosos e faz entender que, se estamos assim, é por culpa nossa. “Nossa” entenda-se: “os portugueses” - e não “quem dirigiu Portugal nos últimos tempos” – isto porque, para algumas “elites europeias”, estrelas de telejornal, a questão racial ainda continua a ser índice de alguma coisa, como nos bons tempos nazis. Os povos do Sul, por definição dessas mentes iluminadas, são preguiçosos e não gostam de trabalhar (aposto que trabalharíamos tão bem ou melhor, se as nossas condições fossem sequer parecidas com as da Alemanha).
Cartazes na rua gritam: impostos sobre as grandes fortunas, uma maior taxação da banca. Um dos partidos que realmente luta pelos trabalhadores é o mesmo que se recusa a aparecer nas negociações com o FMI, num instinto básico de casmurrice infantil, que no fundo me faz questionar onde está realmente essa esquerda renovada. Ela optou pela solução mais fácil, de virar as costas e não dar a cara por ninguém a não ser ela própria.
Ironicamente, em Portugal, esta é a meu ver a melhor altura para mostrarmos o que valemos. Uma nação de poetas, revolucionários, fadistas, aventureiros. Que não se deixa derrotar, e luta pelos seus direitos. E que quando bate no fundo, pontapeia o chão para regressar à superfície.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Egipto: um mês pelo outro lado do país
segunda-feira, 25 de abril de 2011
"Contornos da palavra" em Viana do Castelo
Amanhã vou estar, juntamente com a escritora Raquel Ochoa e a moderadora Isabel Campos, na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, para uma conversa sobre "Ler o mundo viajando no feminino", às 9h30.
"De 26 a 30 de Abril decorre em Viana do Castelo, a 2ª Edição dos “Contornos da Palavra”, cujo programa, este ano, tem como tema central a “Literatura de Viagens”.
Contornos da Palavra é uma iniciativa da Câmara Municipal de Viana do Castelo que visa marcar um universo de reflexão em torno da palavra centrada em grandes temáticas da literatura, estimulando a literatura e a escrita a partir da partilha de uma reflexão construtiva e da necessidade de mais e melhores leitores.
Esta iniciativa contempla a dinamização de sessões nas escolas do concelho com a presença dos escritores:
Raquel Ochoa, Teresa Lopes Vieira, Gonçalo Cadilhe, Tiago Salazar, David Machado, Pedro Seromenho, Miguel Horta e Tiago Gonçalves. "
"De 26 a 30 de Abril decorre em Viana do Castelo, a 2ª Edição dos “Contornos da Palavra”, cujo programa, este ano, tem como tema central a “Literatura de Viagens”.
Contornos da Palavra é uma iniciativa da Câmara Municipal de Viana do Castelo que visa marcar um universo de reflexão em torno da palavra centrada em grandes temáticas da literatura, estimulando a literatura e a escrita a partir da partilha de uma reflexão construtiva e da necessidade de mais e melhores leitores.
Esta iniciativa contempla a dinamização de sessões nas escolas do concelho com a presença dos escritores:
Raquel Ochoa, Teresa Lopes Vieira, Gonçalo Cadilhe, Tiago Salazar, David Machado, Pedro Seromenho, Miguel Horta e Tiago Gonçalves. "
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Festival Literatura em Viagem - 2011
Os aerogeradores - sim, acabei de aprender esta palavra - giravam imponentes, movidos pelo vento, exalando energias renováveis pelas brisas da Beira Litoral. Estava uma tarde fantástica na A8, até que tudo começou a correr mal. Um senhor agente de bigode combativo acena-nos ao longe para que tomemos o primeiro desvio à direita. Lá vamos em fila indiana até Pataias (não é assim tão interessante quanto o nome o possa sugerir) até que um ataque de genialidade nos empurra para um caminho alternativo “incomparavelmente mais rápido”. Quem é que quer ir para o Porto, e em vez disso acaba a ver o pôr-do-sol na praia da Nazaré? Boa tarde, o meu nome é Teresa Lopes Vieira.
Às onze da noite chegámos ao hotel com um único pedido: que nos indicassem um lugar para comer. Qualquer lugar. Um moço prestável, de sorriso copy-paste, aconselha-nos gentilmente o restaurante da esquina. Escutámos com atenção e, obviamente, escolhemos outro qualquer. Fartos de cambalear pelos cantos de cansaço, tocámos, hesitantes, a uma campainha de esquina aleatória. Acolheu-nos uma senhora de pálpebras azuis garridas, que trotava à nossa volta em pontinhas dos pés, e nos mimou como se de nossa mãe se tratasse. Era uma sala do género casamentos e baptizados onde, por dez euros cada, comemos fartamente. Mais tarde fomos a rebolar para o hotel. Ia ser assim em Leça e Matosinhos: engordar bem, à moda do Norte, todos os dias.
Mas o principal era o motivo da minha viagem. Aquilo em que já cismava há semanas. Há que compreender isto. Quando eu digo que vou assistir a um festival de literatura, no qual ainda por cima fui convidada a participar, é como uma miúda de 18 anos que recebesse de borla um bilhete para o Festival Sudoeste TMN. Os mais prestigiados autores, aquelas pessoas de cuja figura só normalmente vemos um busto constrangido na lapela de um livro; iam estar lá, passeando como se nada fosse, comportando-se como pessoas normais. Comendo, andando, dormindo, cagando. E eu no meio deles.
Sentavam-se na mesma mesa onde eu ia falar. Uns divagavam sobre a vida, outros liam textos, outros experimentavam o humor. E depois ia chegar a minha vez (quem é esta??). Como tentar igualar em interesse Richard Zimler, best-seller internacional, nesse dia sentado nem mais do que duas cadeiras ao meu lado? Tema: “o futuro é uma viagem da memória”... No fim, decidi-me a falar daquilo que de mais interessante me tinha acontecido nos últimos tempos: algumas viagens, o meu livro.
Penso que terá corrido tudo bem. Não desmaiei nem vomitei, ninguém se foi embora a meio; e eu, por minha vez, adorei poder fazer parte de um evento como este.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
LeV - Literatura em Viagem - 2011

“A Câmara Municipal de Matosinhos vai organizar a 6ª edição do LEV - Literatura em Viagem, um festival internacional de literatura, que se irá realizar entre os dias 16 e 19 de Abril, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca.
Este evento, que pretende contribuir para uma reflexão em torno da importância que a literatura, em interacção com outros domínios da sociedade, assume nos dias de hoje, reúne em torno da literatura de viagens, importantes escritores e personalidades, provenientes dos quatro cantos do mundo, num encontro que promove o livro, a leitura e o diálogo intercultural.”
Luis Sepúlveda, Gonçalo M. Tavares, José Luiz Peixoto, valter hugo mãe, e Ondjaki, são alguns nomes entre os 50 artistas de vários países que irão participar neste evento.
Dia 19 de Abril – terça-feira, às 15h, “O futuro é uma viagem da memória” com António Jorge Gonçalves, C.S. Richardson, Henrique Fialho, Richard Zimler e Teresa Lopes Vieira.
Moderador: Alberto Serra.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
