segunda-feira, 14 de maio de 2012

Próximas paragens

Esta semana, Gato Persa Social Club volta à estrada, com apresentações:

- Na quarta-feira, dia 16 de maio, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras;

- Na quinta-feira, dia 17, na Biblioteca Municipal de Castelo Branco (mais informação aqui).

terça-feira, 8 de maio de 2012

Feira do Livro 2012

Este sábado, dia 12, vou estar na Feira do Livro de Lisboa, para autógrafos e conversas.

Às 17h30, no espaço do Grupo Porto Editora!

sábado, 5 de maio de 2012

Arte, dor e loucura


Dizia Rubem Fonseca – não ouvi, vi na imprensa – por ocasião da sua visita a Portugal aquando do festival Correntes d’Escritas, que um dos requisitos do bom escritor é ser um bocadinho louco. Acho que sim. Permito-me acrescentar outro: a dor. Não conheço praticamente nenhum grande escritor que não tenha sofrimento no seu texto. E esse vem, intui-se de uma maneira ou de outra, de uma experiência, porque, por muito imaginativos que sejamos, há sempre sensações que não podiam estar ali por outra razão. Fundos de verdade nas entrelinhas sem os quais a autenticidade seria inexistente. Acho, sinceramente, que as pessoas a quem a vida sempre correu bem, regra geral, não conseguem produzir boas peças artísticas. O criador. O cria dor. Não me quero arrogar nada. Não estou sequer a falar de mim, porque é impossível fazer-se uma autoanálise sóbria nesse sentido (se acho que escrevo bem? Sim, mas se não achasse não escrevia, por isso quem sou eu para dizer). Apenas falo do que leio. Nem que seja porque, como dizia Tolstoi, “As famílias felizes são todas iguais, as infelizes são-no cada uma à sua maneira”. Ou seja: a história, a interessante, é sempre sobre aquele que sofre. Arte sem dor não é nada. Dor que se viveu e sentiu, dor que se pariu de novo no momento repetitivo da criação. Escrever é vomitar. É aliviar uma doença que se tem dentro e que precisa de sair para nos deixar viver em paz. 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Merdas inúteis


Se há algo que o Facebook tem feito pela humanidade, é reduzir-lhe o ego significativamente. Numa altura em que já nos achávamos o máximo por poder fingir ser peritos em quase qualquer matéria com um simples search no Google, o Facebook vem lembrar-nos de que pertencemos a uma raça absolutamente inútil no planeta Terra. Sim, temos mestrados, doutoramentos e montes de amigos estrangeiros com nomes exóticos. Sim, podemos ter acesso às melhores histórias da imprensa mundial, apenas adicionando as respectivas páginas aos nossos favoritos. Sim, é-nos possível, com um só clique, ajudar o Banco Alimentar a comprar um pacote de massa. Mas também nos é inevitavelmente esfregado na cara, numa base diária, que muitos dos nossos conhecimentos se interessam por:

- fotografar petiscos nojentos que, muito orgulhosamente, cozinharam sozinhos (é frequente, nesta categoria, caberem pessoas para quem alguém sempre cozinhou, e se sentem muito satisfeitos por, uma vez na vida, terem feito alguma coisa com um fogão e um frasco de sal);
- partilhar frases-clichés, com um fundo rosa ou bege;
- bradar aos quatro ventos observações tais como “está a chover” ou “tenho uma micose”, aquele tipo de coisa de que precisamos urgentemente saber por uma questão de sobrevivência;
- fazer petições online por nenhuma razão aparente;
- pôr fotografias de gajas/os muito mais giros do que o próprio, porque o mundo tem imperativamente de saber sobre as suas angústias sexuais;
- Salvem este cão! Que não existe, mas está a morrer de fome. Com um só clique, podemos fazer com que este link absolutamente inútil dê a volta ao mundo e todos realizemos até que ponto somos estúpidos e facilmente manipuláveis.

Mas claro, agora respondem-me: cala-te, tu também tens Facebook. Pois tenho e há dias em que me sinto realmente mal com isso. A mim, também, me afecta o ego. Agora com licença, que o meu cão está a dormir de uma maneira super-fofinha e é urgente comunicá-lo a todos os meus conhecimentos.

domingo, 29 de abril de 2012

1º de Maio

Aí a chegar e está incrivelmente actual.
Manifestação contra a precariedade e o desaparecimento progressivo dos direitos.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 de Abril, sempre

Apesar da chuva e do mau tempo, estivemos lá hoje.
Porque é importante não esquecer.

Fotografia de Eduardo Gageiro.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Eu e o homem da Zon


Não sei o que fazer. Já o oiço a bater à porta e acabei de receber uma mensagem: informamos que a sua instalação, etc, etc, etc. As outras pessoas com quem vivi sempre fizeram isto por mim. Uma certa saudade dos quartos alugados, em que tudo estava incluído nas contas. Muito mais fácil. No limite, podiam até aldrabar, eu não me importava, desde que não tivesse de ser eu a tratar das coisas práticas. Correm-me sempre mal. Agora, o homem. Fala com um sotaque brasileiro que não entendo (não devia ser ao contrário?).Não, não faço a mínima ideia de onde quero o rooter. Pois, também não sei por onde entram os cabos. Enfim.
Exasperado e percebendo que vai ter de depreender a maior parte das informações básicas sozinho, sobe e desce com as mãos cheias de fios. Brilha-lhe, eterno, um meio-sorriso condescendente. Pela cabeça, decerto alguns pensamentos misóginos. Pois é meu amigo. Mas olhe que eu nem na cozinha, nem com putos, nada disso. Em geral, muito pouco do que seja prático ou inter-relacional.
Cabos por todo o lado. Deixa as portas abertas e o vento dos sítios vazios fá-las bater. O seu carrinho estacionado em cima do passeio, com as luzes a piscar. Piscariam durante três horas, porque esta é uma instalação muito complexa, tendo em conta o destinatário.
 E eu cheia de sono, a perceber que a casa ainda tem pó. Raspando paninhos pelos móveis, ocasional e furiosamente, a fungar de alergia. A chover lá fora e com vontade de adormecer na cama nova. Mas e se o homem precisa de mim? E se o homem me entra pelo quarto adentro? Pelo amor de deus, para isso existem os pisa-papeis. Que não tenho.
 E finalmente, algo acontece. O ecrã medieval começa a piscar, o homem grita da sala, levanto-me, corro, ah, ela funciona. Ligados à civilização, sorrimos um para o outro. Obrigada, não-sei-quantos. O seu serviço foi excelente. A casa não explodiu, não desta vez. A próxima paragem será o senhor Casimiro, para arranjar o esquentador. Mas essa é fácil. Não tenho de me sentir mal por não perceber de esquentadores.