terça-feira, 22 de maio de 2012

Worskhop - fim de semana

Dias 26 e 27 de Maio, abre outro worskshop "Escrever um livro: por onde começar?", na Escrever Escrever. Para aqueles que gostavam de experimentar, mas não têm tempo durante a semana, este é ideal!


http://www.escreverescrever.com/verEdicao.php?id_edicao=1943&mes=05

domingo, 20 de maio de 2012

Despentes e o feminismo pró-sexo


Violação, prostituição e pornografia. São os três vectores principais deste ensaio, que nos propõe uma teoria revolucionária quanto ao modo de olhar a sexualidade.

Há que primeiro conhecer a autora. Virginie Despentes nasceu em Nancy, durante uma adolescência rebelde e conturbada, os pais chegaram mesmo, à laia de desespero, a enfiá-la num asilo psiquiátrico. Terminado o liceu, mudou-se para Lyon, onde exerceu todo o tipo de actividades: caixeira de supermercado, mulher a dias, crítica de filmes pornográficos e até mesmo prostituta.
O seu primeiro livro – Baise-moi (Fode-me) – foi tão bem sucedido quanto controverso, já que se tratava da mais pura afronta social. Seguiram-se outros livros, filmes, prémios. Neste momento, Despentes é uma das mais aclamadas autoras francesas.

O que é o feminismo pró-sexo? Nascida nos anos oitenta nos Estados Unidos, é uma teoria que defende que a mulher deve poder utilizar o seu corpo e vendê-lo se bem lhe apetecer. Olha para a criminalização da prostituição como apenas mais um factor de marginalização das populações desfavorecidas e um meio de reconfortar o ideal judaico-cristão de família tradicional que nos foi, basicamente, imposto.
Segundo a autora, representar o conjunto das trabalhadoras do sexo através da, por exemplo, escravatura humana das máfias de Leste, é tão redutor como falar dos trabalhadores têxteis mostrando crianças na Índia metidas em caves.
Falemos de uma mulher cuja principal função de vida não é agradar ao homem, o que, hoje em dia, ainda nem sempre é verdade. E portanto: “Nem sempre é evidente a distinção entre a prostituição e o trabalho assalariado legal, entre a prostituição e a sedução feminina, entre o sexo tarifado e o sexo interesseiro, entre aquilo que conheci durante aqueles anos < de prostituição > e os anos seguintes < como escritora de sucesso >. O que as mulheres fazem com o seu corpo, a partir do momento em que à volta delas há homens com poder e dinheiro, parece-me, bem vistas as coisas, muito parecido. Entre a feminilidade vendida nas revistas e feminilidade da puta, a nuance escapa-me completamente. E, embora não exponham claramente os seus tarifários, tenho a impressão de ter vindo a conhecer muitas putas nos últimos tempos. ”
E continua: “Tal como o trabalho doméstico e a educação das crianças, o serviço sexual feminino deve permanecer caridoso. Dinheiro igual a independência. O que consiste um atentado moral no sexo tarifado não é o facto da mulher não sentir prazer, mas que ela se afaste do lar e ganhe o seu próprio dinheiro. A prostituta é a “atacante”, aquela que se apropria da cidade. Trabalha fora do doméstico e da maternidade, fora da vida familiar. Os homens não precisam de lhe mentir nem de a enganar, assim, ela arrisca-se perigosamente a tornar-se na sua cúmplice.”

Relativamente à violação e à pornografia, Despentes também encontra coisas interessantes a dizer, das quais penso falar posteriormente.
É fascinante ler a autora, embora este livro em particular não tenha sido publicado em Portugal (mas pode-se encontrá-lo em francês, espanhol, inglês e português do Brasil), o último - Apocalipse Baby -  foi.
Falamos, cada vez mais, numa revolução que se propõe pôr em causa a própria distinção de géneros. 



terça-feira, 15 de maio de 2012

“A força politica conquista-se.”



E é assim, meus amigos, a opinião começa a ser unânime. Somos todos gregos e já é hora de deixarmos de ser bem comportadinhos para nada. 



segunda-feira, 14 de maio de 2012

Próximas paragens

Esta semana, Gato Persa Social Club volta à estrada, com apresentações:

- Na quarta-feira, dia 16 de maio, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras;

- Na quinta-feira, dia 17, na Biblioteca Municipal de Castelo Branco (mais informação aqui).

terça-feira, 8 de maio de 2012

Feira do Livro 2012

Este sábado, dia 12, vou estar na Feira do Livro de Lisboa, para autógrafos e conversas.

Às 17h30, no espaço do Grupo Porto Editora!

sábado, 5 de maio de 2012

Arte, dor e loucura


Dizia Rubem Fonseca – não ouvi, vi na imprensa – por ocasião da sua visita a Portugal aquando do festival Correntes d’Escritas, que um dos requisitos do bom escritor é ser um bocadinho louco. Acho que sim. Permito-me acrescentar outro: a dor. Não conheço praticamente nenhum grande escritor que não tenha sofrimento no seu texto. E esse vem, intui-se de uma maneira ou de outra, de uma experiência, porque, por muito imaginativos que sejamos, há sempre sensações que não podiam estar ali por outra razão. Fundos de verdade nas entrelinhas sem os quais a autenticidade seria inexistente. Acho, sinceramente, que as pessoas a quem a vida sempre correu bem, regra geral, não conseguem produzir boas peças artísticas. O criador. O cria dor. Não me quero arrogar nada. Não estou sequer a falar de mim, porque é impossível fazer-se uma autoanálise sóbria nesse sentido (se acho que escrevo bem? Sim, mas se não achasse não escrevia, por isso quem sou eu para dizer). Apenas falo do que leio. Nem que seja porque, como dizia Tolstoi, “As famílias felizes são todas iguais, as infelizes são-no cada uma à sua maneira”. Ou seja: a história, a interessante, é sempre sobre aquele que sofre. Arte sem dor não é nada. Dor que se viveu e sentiu, dor que se pariu de novo no momento repetitivo da criação. Escrever é vomitar. É aliviar uma doença que se tem dentro e que precisa de sair para nos deixar viver em paz.