sábado, 23 de junho de 2012

Pensamento do dia

Soyez libres, ne vous laissez pas emmerder.

(Sejam livres, não deixem que vos f#%&* o juízo.)



Por Michel Houellebecq

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Leituras no Parque

Afinal, os parques não servem só para fazer piqueniques e ouvir o Toi.

Este é um evento cultural que irá decorrer nos dias 23 e 24 deste mês, num ambiente descontraído e próximo da natureza. Conta com a presença de autores como Teolinda Gersão, Clara Pinto Correia, Vasco Luis Curado e eu mesma (às 16h, do dia 23).


Programa completo aqui

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Oh não, vem aí o orgulho futebolístico sazonal


No momento em que o futuro da Europa esteve a ser jogado – ontem, nas eleições gregas – Portugal inteiro não resolveu fazer mais nada do que pensar nos jogos de futebol, para variar. Depois admiram-se de viver num dos países mais desigualitários da Europa. No fundo, até acabo por compreender que assim seja: e como é que nos podemos queixar, se não fazemos absolutamente nada para mudar a situação? Os representantes que temos são apenas o reflexo daquilo que somos, daquilo que produzimos: um país passivo, uma população que se deixa controlar e que enterra a cabeça como a avestruz.
Cada vez que vejo um daqueles anúncios de apoio à selecção, o meu estômago vira-se do avesso e faço um esforço enorme para me controlar. Todos têm implícito uma espécie de incitamento a um “orgulho nacional” de última hora. Ora por favor: digam-me de que é que eu tenho de me orgulhar quando o Cristiano Ronaldo marca um golo ou não? E mais: em que é que isso vai ajudar o meu país? Em nada, em zero. Se vai ajudar alguém, é apenas o próprio Ronaldo. É tudo artificial, é tudo uma fachada.
É que essa coisa do desligar a televisão para olhar o mundo à nossa volta com uma atitude crítica e envolvida gasta muita energia. Realmente, mais vale ficar em casa de cervejinha na mão e esperar que nos digam o que fazer. É mais cómodo.
Os jogos de futebol e as telenovelas, hoje em dia, são como os presos que se atirava aos leões, nas arenas: servem para manter calma a multidão embrutecida, para a impedir de pensar demasiado. Se não, já se sabe: quando estão desentretidas, as pessoas acabam por se colocar perguntas sobre o estado das coisas e começam a querer lutar por aquilo a que se chamam “direitos”. E quem manda neste pais não quer que isso aconteça.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

"Lecturing" nos supermercados


Sou completamente a favor de uma boa educação alimentar. Sobretudo quando, com o tempo já quente, se começa a vislumbrar entre os portugueses uma ou outra carne menos apelativa. No entanto, penso existirem certas grandes superfícies a levar o conceito demasiado à letra. Para aqueles que ainda não repararam, há agora, em alguns supermercados, cartõezinhos discretos situados ao lado dos produtos género frutas e hortícolas com, supostamente, informação útil sobre os mesmos. Sabia que a alface tem imensa fibra e é muito rica em potássio?
Que promover a saúde dos alimentos  se revela bom para o marketing, claro. Mas será que eu, ao comprar meio quilo de batatas, preciso mesmo de saber que estas são uma grande fonte de fósforo e vitamina A? Não.
Pelo menos, a mim, não me serve de nada. Aliás, chateia-me. Faz lembrar aqueles senhores que ficam à porta dos restaurantes do Bairro Alto, a tentar fazer-nos entrar para os respectivos estabelecimentos. Se por acaso me apetecesse entrar ali, deixou de me apetecer. “Sim, entre aqui, temos um caldo verde muito bom. Sim, sim, aqui.” Bem, a sério? Ah, então pronto, se o senhor o diz é porque deve ser verdade, já que a sua opinião é completamente imparcial e desinteressada sobre esta questão em particular?
Passa-se um pouco o mesmo com os legumes e etcéteras no supermercado: é irritante que me estejam a tentar ensinar até que ponto as minhas laranjas têm vitamina C. Se eu já estou para comprar a porcaria das laranjas, é porque em principio devo saber isso à partida.
Nisto, sou um pouco saudosista em relação ao tempo dos meus avós: uma batata era apenas uma batata e uma pêra era só uma pêra. Comia-se, porque fazia bem, mas não se ficava completamente obcecado com as propriedades antioxidantes de tudo o que nos aparecia à frente. Há, nos dias que correm, muito boa gente que se sabe aproveitar desse tipo de manias, e bem. 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Despentes (2): a violação como arma politica


Já aqui referi Virginie Despentes* e o seu ensaio sobre prostituição, violação e pornografia. Gostava de falar, desta vez, do segundo tema.

Violação igual a vergonha. Mas vergonha de quê, exactamente? De se ter sido sujeita a um dos crimes mais traumatizantes, apenas possível pela submissão do outro pela força, sexualmente. Quando alguém é assaltado ou espancado, o sentimento não é o mesmo: pode-se mencioná-lo livremente sem se ser catalogada.
Despentes, que foi violada, fala-nos da sua experiência na primeira pessoa. Defende que este tipo de crimes apenas são possíveis porque representam exactamente o tipo de relação desigual entre géneros que vivemos ainda hoje. Se não vejamos.
A literatura, religião, cinema, são apenas alguns exemplos dos veículos que formam o ideal da mulher submissa. O nosso imaginário sexual colectivo é fundado na fêmea que espera, passiva, o seu amante. A Bela Adormecida e o seu príncipe, a Rapunzel na sua torre. Nenhuma delas faz, propriamente, nada de especial. Não é por acaso: se fizesse, isso retirar-lhes-ia a sua feminilidade. Consequência disso é grande o número de mulheres que se sente excitada pela violação (homens também, suponho, só que no sentido cómodo inverso). É sintomático, não casual.
Depois de evocar, por exemplo, as imagens das mártires, Despentes escreve:  “No mundo judaico-cristão, é melhor ser-se forçada a ter relações sexuais do que tomada por puta, já no-lo fizeram entender suficientes vezes. Não existe uma predisposição feminina natural ao masoquismo, tal não vem das nossas hormonas nem do tempo das cavernas, mas sim de um determinado sistema cultural e tem implicações incómodas no exercício da própria independência.” O que faz com que muitas vezes a violação se camufle com outros nomes (“ela merecia isto e aquilo”, “só uma porca para fazer aqueloutro”) o que só acontece porque a sociedade actual nos forma para esse tipo de submissão.
Despentes reflecte, por exemplo, sobre o facto de que, quando uma mulher é violada, ninguém gosta que ela se manifeste muito sobre o assunto. Sub-repticiamente, espera-se que tenha uma vida terrível a seguir, que ganhe, por exemplo, 20 quilos, ou nunca mais consiga ter uma relação com um homem. Se não acontece nada disso, então é porque “gostou”...
Assim sendo, o número de violações oficial (no nosso pais e no mundo) está bem longe de corresponder ao número real. Muitas mulheres andam mergulhadas na vergonha e no medo, e o que é pior: encarando isso como a ordem natural das coisas, um segredo sobre o qual não fica bem falar. A vergonha cai sobre a vítima e não sobre o agressor.  
Defende-se aqui, portanto, um sistema em que à mulher não seja constantemente impingida a ideia de que, para ser aceite socialmente, deve ser frágil e dócil, tímida e resignada, não fazer muitas ondas, tudo para agradar. A igualdade de direitos e a prevenção criminal começam na educação. Um direito a reagir, a defender-se. 


* Referido aqui

domingo, 3 de junho de 2012

Gato Persa Social Club na estrada


Esta semana:

Dia 5, terça-feira, às 11h na Biblioteca Afonso Lopes Vieira, Leiria (para alunos do secundário, mas quem quiser aparecer, também pode).

Dia 7, quinta-feira, na Festcul, Barreiro.

E dia 9, sábado, na Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás, na Figueira da Foz:
- 14h30, worskshop de Escrita Criativa
- 17h, apresentação do livro Gato Persa Social Club.