sábado, 14 de julho de 2012

Feira do Livro nos Armazéns do Chiado

É um evento que vai decorrer até 23 de Julho e que conta com a presença de autores como Pedro Almeida Vieira, Isabel Stillwel ou Maria João Lopo de Carvalho.
Eu vou estar no dia 20, pelas 18h30, para assinar livros ou cuecas.

Depois, é aproveitar os descontos. Enfim, não são pacotes de massa, mas sempre chegam aos 40%.


terça-feira, 10 de julho de 2012

A “moda gay” ou o fim anunciado do modelo familiar judaico-cristão?


Há uns meses, saiu, num jornal de referência, um muito falado artigo mencionando qualquer coisa sobre uma suposta moda gay, que agora estava a emergir e que representava a última expressão do niilismo anti-sistema (ou algo do género). Muitos houve que se insurgiram contra este texto, ao qual eu não dei muita importância, por o achar pouco representativo.
No entanto, qual não é a minha surpresa quando dou pela mesma afirmação por parte de um familiar meu: sim, agora está na moda ser-se gay, “eles” estão por toda a parte etc, etc, etc. De repente, recordo-me do meio onde cresci e de toda uma mentalidade que me tentaram incutir, que não é marginal mas, infelizmente, a norma.
Urge explicar que o que está eventualmente na moda não é ser-se gay, apenas libertar algumas emoções a que o conservadorismo nos obrigou. É o progresso nas mentalidades, possibilitado pelo avanço do conhecimento e um paulatino desprendimento de qualquer forma de religião como modo de influência na esfera social.
O que choca algumas pessoas é que agora se descubra que, afinal, haviam muito mais gays/bis ou quaisquer potenciais tipos de LGBTs do que se achava. Não são uma “anormalidade” mas talvez a norma. Há um potencial homossexual em cada esquina e, possivelmente, em cada um de nós e até neles próprios. Já o dizia Freud. Está tudo cá dentro. Até as coisas que não queremos ver.
Não me consigo impedir de notar um certo paralelismo entre isto e a história dos divórcios (cuja condenação, nem de propósito, também tem base religiosa): muito chocada estão alguns porque “hoje em dia os casamentos não duram nada” e “os valores de antigamente isto e aquilo”... Olhemos um segundo para estes “valores”: há o de casar por conveniência ou obrigação e depois ficar-se agarrado a alguém para o resto da vida, porque não se tem dinheiro suficiente se emancipar, por exemplo. O “valor” de continuar numa relação com alguém que já não se ama porque se não a sociedade condena. E ainda o “valor” de se ser traído ad eternum, ou de se trair, porque não se está satisfeito, mas não se pode fazer nada em relação a isso. Porque era assim que acontecia nesse famoso e tão prezado antigamente.
Hoje em dia, podemos admitir por fim que não sabemos bem ao certo se isso do para sempre existe, que tudo pode mudar, que é bom que mude.
Porque o facto de nos guiamos por pseudo-normas datadas de mais de dois mil anos é capaz de  ser um sinal de retrocesso. 
Hoje em dia, felizmente, podemos dizer: a paixão é volátil, a orientação sexual também pode ser, o humano é mutável e a evolução é eterna. Evoluamos, portanto.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O Transplantado e o Fim|gimento

Na próxima quinta-feira, vou apresentar o livro de poesia do José Baptista Coelho, pelas 18h30, na Fnac do Colombo.


"Sou o ser mais lento do mundo.
Sou os poemas da minha terra
O rio que atravessa as águas em controverso
Os sons de nada sobrepondo-se a tudo.
Sou o ser mais lento do mundo.
e para mim não há ritmo certo."

terça-feira, 3 de julho de 2012

Castelo Branco

Na passada sexta-feira, passei pelo clube de leitura da Biblioteca Municipal de Castelo Branco. Uma tarde simpática, sobre a qual se pode ver mais no vídeo abaixo.



Acho que posso pôr esta imagem no meu próximo Cartão de Cidadão. 


sábado, 30 de junho de 2012

O Gato faz uma pausa



Faz agora cerca de cinco meses que saiu o Gato Persa Social Club, que me tem proporcionado um rebuliço de encontros, apresentações e mesmo workshops um pouco por todo o pais. E aproveito estes dois meses para descansar disso tudo, até porque Julho e Agosto correspondem a um período mais calmo do ponto de vista literário.
Enfim, vou trabalhar, é claro, porque há contas para pagar. E obviamente continuar a escrever aqui. Mas também vai ser uma altura para aproveitar e pôr as leituras em dia, escrever bastante, estar com pessoas e fazer outras coisas de que gosto.
Até agora tem sido bastante divertido. Costuma achar-se, erroneamente, que a vida do escritor  consiste em apenas “mandar o livro cá para fora e esperar que aconteça”, mas o livro é apenas um começo. É preciso levá-lo às pessoas. É sempre bom porque acaba por conhecer-se gente e sítios aos quais de outro modo nunca se teria chegado. Mas às tantas importa descansar, é o que vou fazer até Setembro. 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Silêncio

Arrancou esta semana o Festival Silêncio, com tertúlias, espectáculos, documentários e outras actividades engraçadas; em quatro espaços do centro Lisboeta.

Ontem, na Pensão Amor, assistimos a um debate sobre o tema “O poder da palavra”. O calor apertou, é certo, e a sala esteve a abarrotar, o que é bom sinal. O local é esta renovada pensão com espelhos e bancos e coisinhas por toda a parte, que parece ser um dos novos musts da noite lisboeta (tenho-me ficado pelos bares tipo Roterdão e Oslo, mas já era tempo de vir cá a cima experimentar isto). De cerveja na mão, pronta para ouvir.

Qual é a diferença, em termos de efeito, entre a palavra escrita e dita? Kalaf fala-nos de Angola, Benguela mais concretamente, onde tudo o que é impresso ainda tem muito poder.
E o que perdemos ou ganhamos nesta época de imediatismo? O facto de um momento ter mais importância pode ser um ponto de partida para que o nosso destinatário tenha de ser seduzido em menos tempo e espaço. Dá-se o exemplo de Mia Couto, que numa pequena conjugação de sílabas consegue arrasar o leitor.
Golgona Anghel, de cuja poesia gosto muito, foi uma interveniente mais tímida, que na minha opinião jogou demasiado pelo seguro e se podia ter exposto um pouco mais. Não deixou, no entanto, de marcar bons pontos, nomeadamente ao explicar que nunca leria alguém que quisesse ser visto como um herói da História.
Interessei-me por alguma ideias de Susana Sequeira, como por exemplo a referência à mudança de paradigma na publicidade, que faz com que esta agora comunique, não para as massas, mas para cada individuo; o que portanto pode colocar peso na carga poética da mensagem transmitida.
Nuno Artur Silva falou dos tempos modernos, da necessidade de sermos todos muito cool e da ironia que exprimimos em relação a nós mesmos e ao mundo como uma defesa, o que torna a palavra intermediada.

Claro que foi dito muito mais, mas enfim, foi isto que retive. No geral, pareceu-me bastante bom. Quando foi a vez dos elementos do público intervirem, senti necessidade de ir dar uma volta e ver o que se passava na Bica. Não é por mal, mas é sempre nessa altura que surgem os oradores de gaveta que aproveitam para revelar os seus “dotes oratórios”, e estava realmente demasiado calor. 

Mais sobre o Festival Silêncio aqui:
http://www.festivalsilencio.com/2012/