quinta-feira, 20 de setembro de 2012
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Escrita Criativa no Miradouro
Vejam aqui o artigo na Timeout.

Mais informações em http://www.escreverescrever.com/verEdicao.php?id_edicao=2120&mes=09
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Esses homossexuais que fumam ganzas e que andaram a viver acima das suas possibilidades
- Esta gente quer é fumar ganzas e não fazer nenhum – dizia
ele, com um bom e bem servido copo de vinho na mão.
Era uma casa de classe média alta, cujos proprietários,
felizmente e tal como eu, nunca tinham passado dificuldades financeiras. Não
eram nem mais nem menos inteligentes do que o normal. Não eram nem mais nem
menos extraordinários do que qualquer humano. No entanto, davam-se ao luxo
de moralizar sobre a vida de todo um povo, como se o fossem.
Gritar na rua? Eles deviam era ir trabalhar, eles deviam era
ter tirado um curso de jeito, eles deveriam.
Eles não deveriam fumar ganzas, mas embebedar-se já sim.
Eles não deveriam ser homossexuais, ou pelo menos expor a sua identidade
demasiado livremente. Eles deveriam mas era ir trabalhar, apesar de não terem
emprego, de terem filhos doentes, eventualmente fome, eventualmente
desesperados.
“Eles” - para alguns - têm um laço comum e cabem todos na mesma definição,
já agora: são aqueles que defendem os mais fracos, é fácil.
(E tal como se sabe, todos os que defendem os mais fracos
fumam ganzas.)
É só que às vezes me pergunto quem poderá ainda acreditar
que estamos num bom caminho para qualquer coisa e lembro-me deste tipo de
conversas a que já assisti. As pessoas que defendem o buraco que estamos a
cavar, elas existem.
Não são apenas sombras aqueles que desprezam e generalizam a
gente com quem se cruzam todos os dias.
Eles existem, aqueles que se estão nas tintas para toda a
gente excepto os próprios. Aqueles que não conseguem conceber um estilo de vida
ou uma origem para além da sua. E é contra isso que temos de lutar. Porque a
verdade é simples: eles lutam contra nós todos os dias.
Através dos direitos que nos tiram e dizem nunca terem sido
nossos, através das taxas imaginárias que nos fazem pagar sem termos qualquer
dever de o fazer. Eles lutam.
Tendo em conta de quem nem todos temos as mesmas
oportunidades, tendo em conta que nem todos temos as mesmas qualidades ou
apetências, acredito num Estado justo, que distribua a riqueza
igualitariamente. Não acredito numa sociedade selvagem em que cada um vai por
si, simplesmente porque não partimos todos do mesmo ponto.
E é por isso.
Contra eles, como já foi provado, a passividade não resulta.
E não tenhamos medo de lhes fazer mal, porque eles já provaram que não têm medo
de nos fazer mal a nós.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
domingo, 9 de setembro de 2012
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Hoje, Passos anuncia novas medidas de austeridade
"There will be no curiosity, no enjoyment of the process of life. All competing pleasures will be destroyed. But always—do not forget this, Winston—always there will be the intoxication of power, constantly increasing and constantly growing subtler. Always, at every moment, there will be the thrill of victory, the sensation of trampling on an enemy who is helpless. If you want a picture of the future, imagine a boot stamping on a human face—forever."—Part III, Chapter III, Nineteen Eighty-Four - George Orwell
terça-feira, 4 de setembro de 2012
A televisão e o fenómeno sócio-normativo
Não iria ao ponto de encarar a televisão hoje em dia como o
monstro que alguns nela vêm. Não aconselharia o mundo inteiro a ver-se livre de
todas as suas respectivas. No entanto, vejo-me obrigada a partilhar o que
aconteceu na minha vida desde que não tenho este aparelho em casa.
Ao princípio, veio o pânico. Durante dois anos tive-a e
agora ela morreu. Era do século passado, coitada. E agora? Como vejo as
notícias? Como sei o que se passa no mundo? Como vou sobreviver? Algo horrível
se iria produzir, pensei, vou-me desintegrar.
Nada disso.
A única coisa que mudou é que posso escolher. Quero saber
mais sobre um determinado assunto que me interessa? Pesquiso na internet. Há
uma série/documentário que gostaria de ver (não acontece assim tantas vezes, mas é possível)? Vejo online. Quero ficar informada? Leio os jornais ou os sites. De facto, é isto.
Percebi também que ganhava tempo, porque não tinha de aturar anúncios e outras
porcarias que não me interessava ver, mas que mesmo assim me impingiam (nasceu
um bebé com três braços em Oliveira de Azeméis, foi batido o record guiness
para a maior omeleta de repolho do mundo, são tudo coisas que me passam agora ao
lado).
Ou seja, o grande efeito que a televisão têm hoje em dia nas
pessoas é o de escolher por elas. Os nossos interesses são-nos
ditados por uma entidade exterior, que nos entra, com cada vez mais intensidade, em casa. Há canais para todos os targets e para cada hora do dia e ninguém está a salvo.
As pessoas chateiam menos o sistema, ficando sossegadinhas. Com
as camadas idosas, por exemplo, vejo que funciona como um tipo de conformização,
que as impede de andar por aí a mostrar o seu sofrimento pelas ruas, como
faziam dantes (há quem ache muito incómodo o sofrimento dos outros).
Resumindo, o que quero dizer é que não vejo este aparelho
como um monstro nem acho que seja completamente negativo ter um. No entanto, é
preciso um cuidado e uma presença de espírito enormes, coisas que nem sempre
temos (eu não sei se tenho) para não sermos sugados pela espiral do sistema que
nos diz o que fazer, o que pensar e o que tolerar.
Porque em geral, é como um avatar de vida. É esse o efeito.
É esse o efeito da televisão.
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