sábado, 6 de outubro de 2012
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
"Anda desesperado por sexo, porque só agora descobriu que estava farto de ser virgem"
Dois pensamentos que me
surgiram imediatamente ao visionar isto.
Sim, o outro foi: perdi 3:51 minutos da minha vida, mas isso
já é algo comum para alguém que trabalha em casa e que se dedica a uma parte
inevitável de procrastinação diária.
E eis senão quando, há coisa de uns dias, descobrimos que
era tudo uma publicidade estúpida a uma marca de perfume. Oh...que surpresa do
&%$#.
Aparentemente, a página de Facebook suposto gentleman já tinham não
sei quantos mil likes e shares de cidadãos que agora se sentem “defraudados” por
ter sido aproveitada a sua “capacidade romântica de acreditar no amor” em prol
de uma campanha publicitária. Até aí, admito que até acho um bocadinho bem
feito.
A mim, o que me chateia não é que algumas pessoas com demasiado tempo livre se tenham
deixado enganar por um grupo de gente idiota. Mas sim que estes tenham utilizado as últimas manifestações de descontentamento popular para o fazer.
Uma total desacreditação das mesmas, tratando, sugestivamente e diante milhares
de visionadores (televisão incluída), a data em causa de um modo tão banal como qualquer outra
altura festiva, como se do Natal ou o Ano Novo se tratasse. O Pingo Doce já o
tinha feito, pelos vistos pegou: já que o povo português funciona tanto à base
de modas, por que não rentabilizar a “moda” das manifestações? Na minha opinião, é aproveitar datas que deveriam ser simbólicas para a democracia para fazer
jogadas de marketing que ultrapassa claramente os limites da ética.
Quanto ao moço em questão, exprimo um misto de pena e
curiosidade: perguntou-me, por exemplo, por quanto se vende a humilhação de
sermos para sempre conhecidos como “aquele parvo do anúncio da Cacharel”.
Se calhar, o melhor mesmo era ter apanhado o tal avião para França.
Se calhar, o melhor mesmo era ter apanhado o tal avião para França.
domingo, 30 de setembro de 2012
Quando estamos doentes
tudo acontece mais devagarinho. O tempo escorre, lento, e as
coisas afinal já não têm tanta importância. Podemos fazer aquele telefonema
mais tarde, os compromissos na agenda são adiados e as pessoas podem esperar,
porque estamos doentes.
Quando estamos doentes, gostamos mais da cama e podemos
ouvir a música que queremos. Parece que cantam para nós e dizem para não
ficarmos assim.
Quando estamos doentes, sempre bêbados: a cabeça comprime o
cérebro ou os comprimidos fazem isso por ela. Os olhos brilham e ardem e de
repente percebemos exactamente o nosso corpo. Ele já não é estranho nem descartável.
É um corpo que chora.
Quando estamos doentes, pedimos mimos. E quando não há
ninguém para os dar, mimamo-nos a nós mesmos (por isso é que há os chocolates,
e nesse caso ficamos ainda mais doentes).
Tornamo-nos peritos em medicação, somos uma farmácia
ambulante e cronometrada, ciente do tempo de vida de cada componente
farmacológico. Temos frio e calor, depois frio, e calor, e frio e calor. Queixamo-nos
muito mas depois fingimos que está tudo bem, para podermos sair a fazer coisas,
porque é aborrecido estarmos doentes. Mas depois – claro – ficamos mais
doentes.
Quando estamos doentes, isso é chato. Porque tudo planeado e
afinal a vida vem-nos lembrar que nós não controlamos nada. Há coisas a ferver
dentro de nós, bactérias que têm motivos próprios e nada podemos fazer.
Mas uma pausa é por vezes o que falta para perceber que nem
tudo tem de ser assim, tão rapidamente assim.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
A personalidade go with the flow
As novas medidas de austeridade anunciadas pelo governo,
associadas ao Facebook, proporcionaram espaço a uma plataforma expressiva que
detesto especialmente e à qual me permito chamar personalidade go with the
flow.
Aos adeptos deste tipo podíamos vê-los, por exemplo, a
defender um sistema político ultra-liberal ainda há coisa de um ano, porque estava
vagamente na moda. No entanto, desde há duas semanas para cá, algo muda
radicalmente na vida destas almas, que começam para aí a berrar
- É uma vergonha, pá! Ladrões, devolvam-nos o nosso
dinheiro!
Não falo daqueles particularmente decepcionados pelo actual
governo, porque este lhes mentiu à descarada, isso é diferente. O meu alvo,
aqui, são os infelizes que nem sequer sabem porque é que vão para a rua gritar,
mas no fundo até sabem: é porque os amigos estão lá.
Os adeptos da personalidade go with the flow são pessoas que
nunca arriscaram nem vão arriscar exprimir uma opinião diferente e muito menos contraditória à da maioria. Quando estava na moda dizer bem do primeiro
ministro, eles diziam. Agora que está na moda estar indignado, eles afinal
também estão bastante indignados.
Mas isto não se reduz, nem por sombras, a uma atitude
politica.
Geralmente, este tipo de gente nunca exprimirá um gosto
literário, musical ou outro, caso o mesmo não esteja assegurado como sendo
consensualmente cool. Eles vão aos concertos da moda porque “aliás, sempre
gostei muito desta banda (mas só por acaso agora estou a falar dela)”, eles
“sempre disseram que aquele restaurante era um dos melhores de Lisboa, mesmo
antes de ganhar fama” (apesar de nunca lá terem ido). E outras idiotices que tais.
Isso é, por motivos óbvios, muito seguro e proporciona um
certo modo de vida confortável. Um go with the flow nunca poderá ficar mal, em
situação alguma.
Por outro lado, sabe que é medíocre e nunca logrará nada na
vida, a não ser à custa dos outros, das suas ideias e da sua coragem.
Não estou a dizer que isto seja algo tipicamente português,
até porque não foi por acaso que o Hitler chegou ao poder pelo voto
democrático.
Entristece-me, no entanto, a insegurança humana. Se todos tivéssemos
a decência de expressar aquilo em que acreditamos livremente, em vez que ir
atrás da carneirada só porque isso nos faz sentir mais integrados, acho
sinceramente que o mundo seria um lugar muito mais habitável.
domingo, 23 de setembro de 2012
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Escrita Criativa no Miradouro
Vejam aqui o artigo na Timeout.

Mais informações em http://www.escreverescrever.com/verEdicao.php?id_edicao=2120&mes=09
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