segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Faz hoje 14 anos

que Saramago foi o primeiro português a ganhar o Prémio Nobel da Literatura.
E aqui deixo, para aqueles que ainda acham que a cultura não tem importância ou impacte relevante na esfera político-social.
Faz o mundo andar para a frente.



quinta-feira, 4 de outubro de 2012

"Anda desesperado por sexo, porque só agora descobriu que estava farto de ser virgem"


Dois pensamentos que me surgiram imediatamente ao visionar isto.


Sim, o outro foi: perdi 3:51 minutos da minha vida, mas isso já é algo comum para alguém que trabalha em casa e que se dedica a uma parte inevitável de procrastinação diária.
E eis senão quando, há coisa de uns dias, descobrimos que era tudo uma publicidade estúpida a uma marca de perfume. Oh...que surpresa do &%$#.
Aparentemente, a página de Facebook suposto gentleman já tinham não sei quantos mil likes e shares de cidadãos que agora se sentem “defraudados” por ter sido aproveitada a sua “capacidade romântica de acreditar no amor” em prol de uma campanha publicitária. Até aí, admito que até acho um bocadinho bem feito.

A mim, o que me chateia não é que algumas pessoas com demasiado tempo livre se tenham deixado enganar por um grupo de gente idiota. Mas sim que estes tenham utilizado as últimas manifestações de descontentamento popular para o fazer. Uma total desacreditação das mesmas, tratando, sugestivamente e diante milhares de visionadores (televisão incluída), a data em causa de um modo tão banal como qualquer outra altura festiva, como se do Natal ou o Ano Novo se tratasse. O Pingo Doce já o tinha feito, pelos vistos pegou: já que o povo português funciona tanto à base de modas, por que não rentabilizar a “moda” das manifestações? Na minha opinião, é aproveitar datas que deveriam ser simbólicas para a democracia para fazer jogadas de marketing que ultrapassa claramente os limites da ética.

Quanto ao moço em questão, exprimo um misto de pena e curiosidade: perguntou-me, por exemplo, por quanto se vende a humilhação de sermos para sempre conhecidos como “aquele parvo do anúncio da Cacharel”.
Se calhar, o melhor mesmo era ter apanhado o tal avião para França. 

domingo, 30 de setembro de 2012

Quando estamos doentes


tudo acontece mais devagarinho. O tempo escorre, lento, e as coisas afinal já não têm tanta importância. Podemos fazer aquele telefonema mais tarde, os compromissos na agenda são adiados e as pessoas podem esperar, porque estamos doentes.
Quando estamos doentes, gostamos mais da cama e podemos ouvir a música que queremos. Parece que cantam para nós e dizem para não ficarmos assim.
Quando estamos doentes, sempre bêbados: a cabeça comprime o cérebro ou os comprimidos fazem isso por ela. Os olhos brilham e ardem e de repente percebemos exactamente o nosso corpo. Ele já não é estranho nem descartável. É um corpo que chora.
Quando estamos doentes, pedimos mimos. E quando não há ninguém para os dar, mimamo-nos a nós mesmos (por isso é que há os chocolates, e nesse caso ficamos ainda mais doentes).
Tornamo-nos peritos em medicação, somos uma farmácia ambulante e cronometrada, ciente do tempo de vida de cada componente farmacológico. Temos frio e calor, depois frio, e calor, e frio e calor. Queixamo-nos muito mas depois fingimos que está tudo bem, para podermos sair a fazer coisas, porque é aborrecido estarmos doentes. Mas depois – claro – ficamos mais doentes.
Quando estamos doentes, isso é chato. Porque tudo planeado e afinal a vida vem-nos lembrar que nós não controlamos nada. Há coisas a ferver dentro de nós, bactérias que têm motivos próprios e nada podemos fazer.
Mas uma pausa é por vezes o que falta para perceber que nem tudo tem de ser assim, tão rapidamente assim. 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A personalidade go with the flow


As novas medidas de austeridade anunciadas pelo governo, associadas ao Facebook, proporcionaram espaço a uma plataforma expressiva que detesto especialmente e à qual me permito chamar personalidade go with the flow.
Aos adeptos deste tipo podíamos vê-los, por exemplo, a defender um sistema político ultra-liberal ainda há coisa de um ano, porque estava vagamente na moda. No entanto, desde há duas semanas para cá, algo muda radicalmente na vida destas almas, que começam para aí a berrar
- É uma vergonha, pá! Ladrões, devolvam-nos o nosso dinheiro!
Não falo daqueles particularmente decepcionados pelo actual governo, porque este lhes mentiu à descarada, isso é diferente. O meu alvo, aqui, são os infelizes que nem sequer sabem porque é que vão para a rua gritar, mas no fundo até sabem: é porque os amigos estão lá.
Os adeptos da personalidade go with the flow são pessoas que nunca arriscaram nem vão arriscar exprimir uma opinião diferente e muito menos contraditória à da maioria. Quando estava na moda dizer bem do primeiro ministro, eles diziam. Agora que está na moda estar indignado, eles afinal também estão bastante indignados.

Mas isto não se reduz, nem por sombras, a uma atitude politica.

Geralmente, este tipo de gente nunca exprimirá um gosto literário, musical ou outro, caso o mesmo não esteja assegurado como sendo consensualmente cool. Eles vão aos concertos da moda porque “aliás, sempre gostei muito desta banda (mas só por acaso agora estou a falar dela)”, eles “sempre disseram que aquele restaurante era um dos melhores de Lisboa, mesmo antes de ganhar fama” (apesar de nunca lá terem ido). E outras idiotices que tais.
Isso é, por motivos óbvios, muito seguro e proporciona um certo modo de vida confortável. Um go with the flow nunca poderá ficar mal, em situação alguma.
Por outro lado, sabe que é medíocre e nunca logrará nada na vida, a não ser à custa dos outros, das suas ideias e da sua coragem.
Não estou a dizer que isto seja algo tipicamente português, até porque não foi por acaso que o Hitler chegou ao poder pelo voto democrático.
Entristece-me, no entanto, a insegurança humana. Se todos tivéssemos a decência de expressar aquilo em que acreditamos livremente, em vez que ir atrás da carneirada só porque isso nos faz sentir mais integrados, acho sinceramente que o mundo seria um lugar muito mais habitável.