quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Este sábado

vou estar, às 16h00, na Biblioteca Municipal de Carnaxide, para uma conversa com leitores.

De seguida, vou ao Liceu Francês de Lisboa pelas 17h30. Fui convidada para entrar numa exposição de escritores ex-alunos e estou muito ansiosa. Vai ser maravilhoso reencontrar caras conhecidas, salas de aula e as casas de banho para onde íamos dizer segredos e fumar cigarros às escondidas! 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Pela milésima vez, não, não sou


Ou serei?

Talvez uma das perguntas que mais se faz aos escritores seja
- Aquelas personagem és tu?

Falta de imaginação, curiosidade, tentativa de perceber para além do texto? Porventura, um misto dos três.
Desfaçamos esta ambiguidade.
A personagem de um romance, seja ela qual for, é sempre o autor. Um esboço ambíguo daquilo que ele seria, ou gostaria ser, ou detestaria e teria pavor. Falo por mim. Desde o velho que diz palavrões para o ar à porta do talho à senhora obesa com o caniche da padaria, somos todos sempre eu. Não é preciso chamar o Pessoa, a esquizofrenia literária é um facto à escala global. Porque eu falo, imagino e faço coisas. Eu sinto, amo  e fodo. Não posso sentir a dor dos outros. Por isso, muitas dores ao mesmo tempo.
Quando ponho alguém a saltar do prédio, ponho-me a mim a saltar do prédio e nesse sentido é sempre o que eu experienciaria. A minha bochecha a esmagar-se no passeio, mesmo que ela nunca se tenha esmagado contra um passeio.
Quando escrevo, vomito as palavras que um dia me aconteceram.

Uma personagem, por outro lado, nunca pode ser eu. Pela simples razão de que ninguém é suficientemente interessante para construir uma figura de ficção. Esta é o fio de uma vida demasiado divagada. Consequência directa do enredo que o antecede, é aquele a quem queremos que aconteçam as coisas interessantes que nunca protagonizaremos. Ele é aquele que queremos que salte do prédio, por isso é preciso arranjar maneira de o fazer subir as escadas, ou o elevador, ou o guindaste.

É aquele que é

(como já tão bem no-lo disseram antes).

Por isso, sim. E não.
E vai ser sempre sim e não ao mesmo tempo. A personagem és tu? É uma pergunta parva, porque sou sempre mas não sou e sou e não sou esouenãosouesouenãomasmasmassouesoumasnãosoumassoumasnãosouesoumasnãosoumassouenãosou. 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Faz hoje 14 anos

que Saramago foi o primeiro português a ganhar o Prémio Nobel da Literatura.
E aqui deixo, para aqueles que ainda acham que a cultura não tem importância ou impacte relevante na esfera político-social.
Faz o mundo andar para a frente.



quinta-feira, 4 de outubro de 2012

"Anda desesperado por sexo, porque só agora descobriu que estava farto de ser virgem"


Dois pensamentos que me surgiram imediatamente ao visionar isto.


Sim, o outro foi: perdi 3:51 minutos da minha vida, mas isso já é algo comum para alguém que trabalha em casa e que se dedica a uma parte inevitável de procrastinação diária.
E eis senão quando, há coisa de uns dias, descobrimos que era tudo uma publicidade estúpida a uma marca de perfume. Oh...que surpresa do &%$#.
Aparentemente, a página de Facebook suposto gentleman já tinham não sei quantos mil likes e shares de cidadãos que agora se sentem “defraudados” por ter sido aproveitada a sua “capacidade romântica de acreditar no amor” em prol de uma campanha publicitária. Até aí, admito que até acho um bocadinho bem feito.

A mim, o que me chateia não é que algumas pessoas com demasiado tempo livre se tenham deixado enganar por um grupo de gente idiota. Mas sim que estes tenham utilizado as últimas manifestações de descontentamento popular para o fazer. Uma total desacreditação das mesmas, tratando, sugestivamente e diante milhares de visionadores (televisão incluída), a data em causa de um modo tão banal como qualquer outra altura festiva, como se do Natal ou o Ano Novo se tratasse. O Pingo Doce já o tinha feito, pelos vistos pegou: já que o povo português funciona tanto à base de modas, por que não rentabilizar a “moda” das manifestações? Na minha opinião, é aproveitar datas que deveriam ser simbólicas para a democracia para fazer jogadas de marketing que ultrapassa claramente os limites da ética.

Quanto ao moço em questão, exprimo um misto de pena e curiosidade: perguntou-me, por exemplo, por quanto se vende a humilhação de sermos para sempre conhecidos como “aquele parvo do anúncio da Cacharel”.
Se calhar, o melhor mesmo era ter apanhado o tal avião para França. 

domingo, 30 de setembro de 2012

Quando estamos doentes


tudo acontece mais devagarinho. O tempo escorre, lento, e as coisas afinal já não têm tanta importância. Podemos fazer aquele telefonema mais tarde, os compromissos na agenda são adiados e as pessoas podem esperar, porque estamos doentes.
Quando estamos doentes, gostamos mais da cama e podemos ouvir a música que queremos. Parece que cantam para nós e dizem para não ficarmos assim.
Quando estamos doentes, sempre bêbados: a cabeça comprime o cérebro ou os comprimidos fazem isso por ela. Os olhos brilham e ardem e de repente percebemos exactamente o nosso corpo. Ele já não é estranho nem descartável. É um corpo que chora.
Quando estamos doentes, pedimos mimos. E quando não há ninguém para os dar, mimamo-nos a nós mesmos (por isso é que há os chocolates, e nesse caso ficamos ainda mais doentes).
Tornamo-nos peritos em medicação, somos uma farmácia ambulante e cronometrada, ciente do tempo de vida de cada componente farmacológico. Temos frio e calor, depois frio, e calor, e frio e calor. Queixamo-nos muito mas depois fingimos que está tudo bem, para podermos sair a fazer coisas, porque é aborrecido estarmos doentes. Mas depois – claro – ficamos mais doentes.
Quando estamos doentes, isso é chato. Porque tudo planeado e afinal a vida vem-nos lembrar que nós não controlamos nada. Há coisas a ferver dentro de nós, bactérias que têm motivos próprios e nada podemos fazer.
Mas uma pausa é por vezes o que falta para perceber que nem tudo tem de ser assim, tão rapidamente assim.