segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Orçamento de Estado para 2013

Assinem esta carta aberta para exigir uma mudança de rumo ou a demissão do governo. O documento oficial já foi assinada por personalidades de todas as áreas, incluindo Mário Soares, Siza Vieira, Valter Hugo Mãe, Maria Teresa Horta, Inês Pedrosa e muitos mais.

http://www.peticaopublica.com/?pi=P2012N32810


"O Programa eleitoral sufragado pelos Portugueses e o Programa de Governo aprovado na Assembleia da República, foram em muito excedidos com a política que se passou a aplicar. As consequências das medidas não anunciadas têm um impacto gravíssimo sobre os Portugueses e há uma contradição, nunca antes vista, entre o que foi prometido e o que está a ser levado à prática.
Os eleitores foram intencionalmente defraudados. Nenhuma circunstância conjuntural pode justificar o embuste.

Daí também a rejeição que de norte a sul do País existe contra o Governo. O caso não é para menos. Este clamor é fundamentado no interesse nacional e na necessidade imperiosa de se recriar a esperança no futuro. O Governo não hesita porém em afirmar, contra ventos e marés, que prosseguirá esta política - custe o que custar - e até recusa qualquer ideia da renegociação do Memorando.

«Ao embuste, sustentado no cumprimento cego da austeridade que empobrece o País e é levado a efeito a qualquer preço, soma-se o desmantelamento de funções essenciais do Estado e a alienação imponderada de empresas estratégicas, os cortes impiedosos nas pensões e nas reformas dos que descontaram para a Segurança Social uma vida inteira, confiando no Estado, as reduções dos salários que não poupam sequer os mais baixos, o incentivo à emigração, o crescimento do desemprego com níveis incomportáveis e a postura de seguidismo e capitulação à lógica neoliberal dos mercados."

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Perca o juízo em quatro semanas


Fazer dieta é, regra geral, positivo. Além de nos libertar do quilos a mais, purga o organismo e faz-nos tomar consciência do estilo de vida pouco saudável que andávamos a praticar. Tudo isto é muito bonito, mas há uma condição essencial a não esquecer: quando nos queremos lançar nesta aventura, também temos de nos mudar para uma ilha deserta, quinta ou gruta no meio do mato.

Com efeito, é impossível fazê-lo com os outros ao lado. A partir de agora, ou nos fechamos em casa, ou a nossa vida social vai ser um inferno, povoado por todo o tipo de opinadores. Claro que é querido que se preocupem connosco e/ou achem que já estamos em suficiente boa forma. Mas há quem vá longe de mais. Aqui estão, segundo a minha perspectiva, algumas das categorias mais comuns nesse aspecto:

O nutricionista-amador: há sempre alguém que de repente sabe tudo sobre nutrição e que, não só acha a nossa dieta parva, como insiste em que sigamos o seu método. “Tens de comer uma beterraba assada por dia enquanto fazes o pino e cantas o hino nacional” – garante, e não descansa enquanto não prometemos experimentar a sua técnica.

O preocupado: mas tu não precisas! – exclama, avaliando-nos de alto a baixo, ao mesmo tempo que morde os lábios e abana a cabeça. Inútil explicar que o objectivo é apenas recuperar a figura com a qual nos sentíamos confortáveis. Ele não vai acreditar e vai estar o tempo todo a tentar fazer com que nos “descuidemos” ao declarar as verdadeiras razões deste regime: um desgosto, uma anorexia, uma depressão profunda.

O desconfiado: não comeste? – pergunta, com ar de pânico, depois de chafurdar no seu prato de carbonara com queijo e bacon extra. Este é aquele que vai ainda mais longe e acha que o nosso plano é mesmo, declaradamente, morrer à fome. Quando dizemos que já comemos, mas mais discretamente, a pessoa fica a contemplar o mais profundo dos nossos olhos, como que para detectar neles o brilho subnutrido da suposta mentira.

O tentador-provocador: aquele que se “esquece” e de cinco em cinco minutos nos propõe cervejas, vinho, doces e bolos. Este é o pior, porque nos obriga a fazer constantemente cara de seca ou sorrisos forçados, para recusar coisas. Claro que, com a neura com a qual ficámos depois de todos os comentários supra-referidos, duvidamos da inocência destas propostas.

A alternativa, claro, é mentir. Inventar que não se come doces porque eles caem mal a esta hora, não se quer batatas simplesmente porque não se suporta os fritos (o quê, não sabias isso? Pois, conheces-me tão mal...) e que não se está a beber por causa do Ramadão. Conheço quem invente esse tipo de desculpas e parece-me, francamente, estúpido. Mas também é, pelos vistos, a única opção viável.  

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ema, ou o começo de tudo


Lembro-me de um professor corcunda. Não era muito velho, usava óculos de aros prateados e diziam que era bicha (a homofobia era bastante aceitável entre os miúdos naquela época). Não nos deixava jogar ao stop nas aulas e tinha uma maneira muito peculiar de imitar a Lady McBeth – give me ze zaggersss, dizia ele, fingindo agarrar um par de punhais no meio da noite trovejante. 
Foi, também, a primeira vez que li Madame Bovary.

Não retive nada. Sim, havia vaga noção de que era sobre uma mulher que traía o marido, mas não será esse o caso com a maior parte dos romances franceses do meio de século xix para baixo? Na altura, parecia. Interessavam-me sinceramente mais os escaravelhos gigantes a sair envergonhados de baixo de camas, jogadores de xadrez compulsivos e outras coisas que os franceses tanto gostavam de nos fazer ler, mas que não eram francesas. Assim, com Kafka e Zweig mesmo ali ao lado, Flaubert ficou apenas perdido no meio dos Moliére, Apolinaire e outros tantos também acabados em "érre".
Treze anos depois, considero o meu eu adolescente com um certo desprezo. O critico literário James Wood diz-nos que o escritor deve agradecer a Flaubert do mesmo modo que o poeta agradece à primavera: tudo acontece de novo com ele. De facto, assim o é. Ler Madame Bovary deve equivaler a dois anos de vida literária. Já que, mais de um século e meio depois, ainda há autores que lhe são influenciados pelo estilo. Acabei de ler o livro pela segunda vez, com a noção de que grande parte daquilo que vemos em literatura moderna vem daqui. Reler os clássicos permite-nos, de facto, entender tudo muito mais facilmente.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Sintra

Amanhã, pelas 16h00, na Biblioteca Municipal de Sintra, mais uma conversa à volta de livros.
Espero por vocês!