quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Adeus
Uma amizade é como um namoro, só que mais forte. Pelo menos,
para mim, sempre foi. Desde miúda que tive bastante facilidade em trocar de
namorado e recuperar de desgostos amorosos. E ao passo que as minhas amigas
sofriam horrores pelos seus namoradinhos, eu ficava era mesmo chateada quando
me chateava com elas. Era disso que não conseguia recuperar bem, porque era aí
que, para mim, se dava a verdadeira partilha.
O Nuno foi bastante importante para mim, nesta fase da vida.
Esteve lá quando acabei com uma relação duradoura e quase sem eu me aperceber
disso tornou-se numa peça chave de todo um processo/patamar pelo qual passei
ultimamente e que acabou por findar um certo paradigma pessoal. Agora, vai-se
embora, viver para Copenhaga.
Quando recebi a notícia, a minha primeira reacção foi de
felicidade, claro. Sei que ele nunca viveu fora e ansiava por uma experiência
deste tipo e também sei que é uma oportunidade única e maravilhosa para
qualquer um. Lembrei-me das minhas viagens e estadia em Amesterdão e de como a
minha vida teria sido desinteressante sem estas. No entanto, depois da
excitação inicial, fica a pergunta: e agora? Não me apetece fazer tudo outra
vez, não me apetece andar à procura de outro Nuno!
Finalmente, percebo o que os meus amigos sentiram quando eu
me fui embora: um misto de contentamento, inveja e tristeza. É injusto quando
criamos com alguém uma partilha especial e depois essa pessoa se vai embora. Tendo
viajado, já me aconteceu muitas vezes. Também já me fui embora e deixei pessoas
que depois mudaram. Também mudei.
Tudo muda e ninguém é garantido. Não há lugares seguros e
isso acaba por nos fazer evoluir. Mas que nos vemos por aí, vemos com certeza.
E agora vou acabar com os clichés reconfortantes e vou só ali chorar um
bocadinho, com licença.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Escrever sai à rua: escrita criativa no CCB
Este workshop pretende quebrar as fronteiras entre Artes Plásticas e Literatura, numa “mixórdia” de palavras, sons, objetos, telas e cores.
Aqui descobrimos as personagens, diálogos e cenários do museu. Aprendemos que o escritor não tem de ficar em casa para encontrar a sua musa, já que algumas das grandes ideias literárias nascem justamente da observação. Que história se esconderá por detrás daquele quadro, daquela instalação, daquele senhor tão estranho? Num lugar tão cheio de estímulos, é impossível ficar de caneta parada!
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
As Partículas Elementares
Será possível ser-se extremamente badalhoco – a um ponto que roça o incomodativo – e mesmo assim escrever-se de uma maneira genial? A resposta é sim, mas só se formos Michel Houellebceq.
Este é o segundo livro que conheço do autor e devo admitir
que o primeiro que li – O Mapa e o Território (2010) – não me preparou para o
que se me ia seguir. Há quem diga que este romance provocou tamanho escândalo, aquando da sua publicação em 1998, que Houellebecq, consciente das necessidades de alargar o seu público-alvo,
adoptou de seguida um tom mais puritano, como estratégia para o prémio Goncourt
(o mais importante premio francês), que acabou por ganhar. Embora estas
especulações me pareçam artisticamente calculistas, não pude deixar de
encontrar um pequeno fundamento para as mesmas ao ler As Partículas Elementares
(1998). Mergulhamos numa aventura sem retorno pontuada de acontecimentos
catastróficos e uma listagem das várias maneiras de masturbação pública
possíveis. Fica-se preso assim entre um querer atirar com o livro para a
retrete e um não conseguir deixar de o devorar, que só as obras geniais
conseguem.
A dimensão psicológica das personagens é-nos explanada
segundo um processo de dissecação emocional, que se relaciona com o facto de
uma delas ser um biólogo investigador; mas cuja plena razão de ser apenas nos é
dada a perceber mais tarde, no epílogo. Tem, de facto, um dos melhores finais
que já li. É um daqueles livros em que se percebe que o mesmo foi pensado
durante todo o processo da escrita, se é que não foi a própria razão da mesma.
Bruno e Michel são dois irmãos cuja vida falhou, mas, como o
autor no-lo dá a entender, o mesmo se passa com cada um de nós. É um relato
frio e estranho, completamente diferente de O Mapa e o Território, mas
semelhante na medida da sua análise da inevitável solidão humana. O germe do
desligamento sentimental explode aqui em toda a força e ninguém é poupado. Para
ler com whisky e Água das Pedras (estes podem, dependendo das alturas, ser
utilizados em conjunto ou separadamente).
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
A Psicanálise do Talhante
Admito que nunca fui muito fascinada por cozinha. Até agora,
altura em que decidi começar uma dieta mais saudável, a minha alimentação
diária baseava-se muito no pão com queijo e em casos de maior inspiração,
pizzas. Adoro pão, pronto, por isso nunca me fez espécie viver assim.
Da carne, então, sempre tive um certo pavor. Cozinhada por
mim, sabe-me muito concretamente ao animal morto em questão. Deve ser do
processo de ter de pegar nele ainda cru, adivinhá-lo enquanto vivo e outras
divagações criativas que tais que, antecedendo o momento da refeição, não a
tornam propriamente ideal. Mas a minha vida tinha de mudar, decidi, não queria
ser mais a Teresa Pão com Queijo.
Não podia ser.
Como continuava a detestar a carne embalada (por mais
condimentos que lhe adicionasse, o animal continuava ali, a espernear-me entre
os dentes) comecei a seguir o conselho sábio da minha avó de ir Ao Talho. E
descobri um mundo maravilhoso. Claro que para as pessoas normais isto deve
parecer completamente estúpido, mas a verdade é que eu nunca tinha ido Ao Talho.
Como disse, produtos embalados e pão eram a minha cena. Quanto menos as minhas
mãos tocassem na carne, melhor e nunca ter de o fazer era o ideal.
É que se constrói ali todo um novo tipo de relação humana.
Temos alguém, geralmente um homem, que também se assemelha a uma figura
paternal, gordo ou pelo menos possante. Muitas dos clientes sabem o nome dele,
que clamam com submissa alegria, esticando o tickezinho com o respectivo número.
Não parece possuir hábitos de higiene muito regulares, no entanto enfia as mãos
na nossa comida com o máximo das displicências, ao mesmo tempo que nos aborda
com um ar bonacheirão: quanto queremos? (sei
lá, por favor ajude-me Sr. Vasco) E é aí que, reparo, se começa a
desenvolver entre cliente-talhante toda uma nova relação vagamente familiar: de
repente, este homem porco e bruto sabe exactamente de que precisamos (mais
tenrinha, menos nervo), de quanto precisamos e quando (venha amanhã, acredite
em mim) e para quantas pessoas. Pode revelar ser a maior bodega do mundo, mas
é-nos impingida com todo o carinho e amor.
Freud deveria ter certamente qualquer coisa a dizer sobre os
talhantes. Eu, por minha vez, descobri todo um novo processo psicanalítico.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
O funâmbulo
Vejo um fio condutor e depois não via o fim, sabes, há muito
tempo que ando à procura de mandalas, de uma certa forma fizeram-me crer que
era esse o meu objectivo, no fundo, se calhar, é simplesmente uma corda.
Quando cá vim pela primeira vez, a corda tinha demasiados nós e eu estava
constantemente a encravar. O pior nesses nós é que eu não os via. Havia apenas
a vaga sensação de tropeçar em algo que parecia uma barreira muito firme, não
sei se me estou a fazer entender. Penso que alguns se foram libertando, até que
hoje tudo ficou muito claro. A associação de ideias, que eu achava que ia dar
para a desgraça como de costume, afinal levou-me ao meu próprio percurso. E
depois percebi que esse não foi mais ou menos perverso, apenas igual, apenas
normal.
A primeira imagem significou que me
estava a tornar mulher. Depois, a curiosidade. Depois, o primeiro amor. E
depois e depois, assim sucessivamente. E lá está, a corda, a corda a
desenrolar-se e a desenvolver-se suavemente, e eu nela, caminhando, um pé atrás
do outro e se abrir os braços consigo-me equilibrar perfeitamente. Quando às
dificuldades, penso agora, são apenas mais um nó da corda contínua. Estarão lá,
é certo (não é por acaso que encontro em equilíbrio, a vida é portanto, mas
para toda a gente penso, um jogo de funambulismo) mas eu vou desenrolando os
nós com os pés e conseguindo avançar. Não vejo nem prevejo, mas sei que vão aparecer vários nós. Por vezes,
vou-me desequilibrar. Mas é o que tu dizes: pouco a pouco, vou aprendendo a não
deixar que aqueles do passado intervenham no processo de resolver os do futuro.
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