sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Modas
Pode parecer cliché ir a correr comprar o mais recente
prémio Nobel (se bem que este me foi oferecido, a pedido, no Natal) mas a
verdade é que também se tratou de uma excelente desculpa para me aventurar na,
até agora para mim desconhecida, literatura chinesa.
Mo Yan, dizem, sofreu na realidade muitas influências
ocidentais, tais como a de Faulkener ou Garcia Marquéz – embora ele próprio
diga que não as assimilou directamente, a verdade é que constituíram parte da
sua escola literária. Trata-se portanto, presumo, de uma entrada soft na
literatura oriental.
Esta é a saga da família Shangguan, protagonizada na
primeira pessoa por Jintong, o filho mais novo de uma família de oito irmãs.
Mimado e aguardadíssimo, acaba por se tornar num inútil que ainda na idade
adulta ainda gosta de beber leite das mamas das mulheres com quem se envolve
(podemos, na minha opinião, ver aqui uma certa vertente metafórica típica do
Realismo Mágico, que aparece em vários episódios da narrativa). Permite uma visão
alargada da História do pais, retratando com enorme vivacidade episódios como a
invasão japonesa e a Revolução Cultural, a partir da região de Gaomi, um meio
rural e extremamente pobre.
A mãe, Shangguan Lu, que permanece viva através das
desgraças, guerras e maleitas físicas; faz lembrar uma Úrsula Buendia, a mulher
que tudo aguenta e por quem tudo passa. A mulher, de facto, é a grande pedra
basilar do livro, que acaba por lhe ser uma espécie de homenagem. Um romance
que demonstra, parafraseando Howard Goldblatt, o falhando de um sistema
patriarcal; em que as mulheres são estruturantes na acção, enquanto os homens na
sua maior parte não passam de atracções circenses que tornam a narrativa mais
colorida.
Marcado por um erotismo violento e intrusivo, com imagens
inusitadas, este é um livro que enjoa e faz sorrir. Portanto, nem sempre o
facto de um escritor estar na moda é mau sinal.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
A sul de nenhum norte
Dois poemas para a revista literária "A sul de nenhum norte", de Janeiro:
AB123
Um dia, perguntas-me porquê
e eu
- coisas, sim, fiz coisas
porque estas mãos jorram torrentes e estas flores não param
de morrer
as dálias estampadas num lençol amarelo
onde estivemos muitas vezes
com gente que apenas veio por uma noite
- coisas
sim, fiz coisas
e depois enrolei uma manta nos pés
não endireitei as costas, como me aconselhou o retrato
que olho de perfil, enquanto me abraço, a chover.
E lá fora é apenas Agosto
ou inverno, já não me lembro
Tantas vezes quis sair em silêncio
em vez disso, tropecei sempre nos objectos.
Hoje de manhã
pegaste no teu Mein Kampf
vestiste o roupão, sujo
Havia ainda um resto de branca à cabeceira
que com um gesto mole, limpaste
com os dedos dormentes, que importa
A esta hora, já não te satisfaziam verdades siderais
preferes contemplar a ingratidão dos outros com lentes de
verdade
Saíste para comprar o jornal
tropeçaste por almofadas
sujas de ti
e eu virei-me para o lado
o gato saltou por cima
e eu virei-me para o outro lado
encontrei ainda Gin, na garrafa partida
magoei os dedos nos vidros
sempre tive bons pés para esse efeito
e é chato acordar na prisão.
Fazer dowload aqui.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Fevereiro, na Escrever Escrever
Escrever um livro: por onde começar?
- manhã
- pós-laboral
Oficina de romancistas: dos clássicos ao estilo literário
- manhã
Escrever um livro: por onde começar? Nível 2
- pós-laboral.
- manhã
- pós-laboral
Oficina de romancistas: dos clássicos ao estilo literário
- manhã
Escrever um livro: por onde começar? Nível 2
- pós-laboral.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Adeus
Uma amizade é como um namoro, só que mais forte. Pelo menos,
para mim, sempre foi. Desde miúda que tive bastante facilidade em trocar de
namorado e recuperar de desgostos amorosos. E ao passo que as minhas amigas
sofriam horrores pelos seus namoradinhos, eu ficava era mesmo chateada quando
me chateava com elas. Era disso que não conseguia recuperar bem, porque era aí
que, para mim, se dava a verdadeira partilha.
O Nuno foi bastante importante para mim, nesta fase da vida.
Esteve lá quando acabei com uma relação duradoura e quase sem eu me aperceber
disso tornou-se numa peça chave de todo um processo/patamar pelo qual passei
ultimamente e que acabou por findar um certo paradigma pessoal. Agora, vai-se
embora, viver para Copenhaga.
Quando recebi a notícia, a minha primeira reacção foi de
felicidade, claro. Sei que ele nunca viveu fora e ansiava por uma experiência
deste tipo e também sei que é uma oportunidade única e maravilhosa para
qualquer um. Lembrei-me das minhas viagens e estadia em Amesterdão e de como a
minha vida teria sido desinteressante sem estas. No entanto, depois da
excitação inicial, fica a pergunta: e agora? Não me apetece fazer tudo outra
vez, não me apetece andar à procura de outro Nuno!
Finalmente, percebo o que os meus amigos sentiram quando eu
me fui embora: um misto de contentamento, inveja e tristeza. É injusto quando
criamos com alguém uma partilha especial e depois essa pessoa se vai embora. Tendo
viajado, já me aconteceu muitas vezes. Também já me fui embora e deixei pessoas
que depois mudaram. Também mudei.
Tudo muda e ninguém é garantido. Não há lugares seguros e
isso acaba por nos fazer evoluir. Mas que nos vemos por aí, vemos com certeza.
E agora vou acabar com os clichés reconfortantes e vou só ali chorar um
bocadinho, com licença.
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