terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
domingo, 17 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Sábado, em Carnaxide
Prova de Livros
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Oficina de Escrita Criativa Um Passeio pela Escrita, por Teresa Lopes Vieira
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16.Fevereiro - 14h30
Biblioteca Municipal de Carnaxide | |
Teresa Lopes Vieira na sua oficina de escrita criativa, realiza uma viagem ao mundo da escrita que ensina “o que é criar e como fazê-lo através das palavras”, com exercícios para desenferrujar as ideias e a criatividade.
No final, a autora irá apresentar os seus livros e conversar com o público sobre as obras e as viagens que as inspiram. Equador, Colômbia e Egipto são alguns dos cenários das suas histórias.
Público-alvo: Adultos e Jovens (a partir dos 16 anos)
Mais informações: http://oeiras-a-ler.blogspot.
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
A conversa da crise
Hão-de reparar que, hoje em dia, quem mais se refere
queixosamente ao vago termo de “crise” é quem menos faz para que as coisas se
resolvam. Não que o cidadão comum, no geral, possa fazer muito, é verdade. Quem
não tem mais influência ou disponibilidade pode ir às manifs, derrubar umas cancelas,
mandar uns petardos e tal. Estou-me, no entanto, a referir às pessoas que
rigorosamente nada fazem, simplesmente passando o dia de cu sentado em casa, mas que mesmo assim não se calam com chavões como “isto está mesmo mal” – que já ninguém suporta.
Sim, já todos percebemos que isto está muito mal e agora? Em
vez disso, poderiam apresentar soluções práticas. Que se diga mal do governo,
das medidas por ele tomadas, da corrupção generalizada do nosso sistema, do
sistema bipartidário que já não funciona, da perversidade dos aparelhos
partidários, da falta de transparência da nossa democracia; acho óptimo. Vamos
falar sobre isso. Adoro falar sobre isso. Agora para vagos queixumes sobre o
“como isto está” já não tenho paciência e já não posso ouvir.
Devia haver uma multa para as pessoas que andam para aí a
dizer “como isto está”, mas essa não seria paga em dinheiro. O cidadão seria,
sim, obrigado a ler todos os jornais que lhe pudessem à frente durante uma
semana (coisa, provavelmente, nova na sua vida – por alguma razão se fica por
apreciações vagas e nunca chega a criticas concretas) finda a qual deveria
passar duas horas a debater, com outro cidadão apanhado no mesmo ilícito,
soluções práticas e medidas que gostaria de ver tomadas. Assim, sim.
Mas eu acho que essas pessoas, no fundo, gostam de ser
assim. É a conversinha que temos com o senhor do café, é o debafo que se faz à
vizinha, mas em relação ao qual não se sente um mínimo de ligação, sim,
gostamos disso. Porque é muito mais cómodo mandar bitaites para o ar do que
interessar-se, de facto, pelas coisas. Porque é muito mais cómodo ver a novela
do que ler, de facto, o jornal. E quem é responsável pelo ponto a que chegámos
adora a conversa do “como isto está”. Porque revela aquele fatalismo
apassivante que tão bem nos caracteriza e graças ao qual nos deixamos
embrutecer e manipular até agora nos termos lixado a sério.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Ser-se profundo e emotivo não faz de nós escritores
Tendo sido formadora na área da escrita criativa há algum
tempo, uma das coisas que me choca mais é
a quantidade de aspirantes a escritores que não lêem, nem gostam de ler,
nem tencionam nunca fazê-lo. Digo isto sem qualquer tipo de pretensão de me
achar melhor do que os outros, tenho noção de que estou em início de carreira
(como é óbvio, tenho, eu também, muito para aprender, ler etc.) apenas me choca
que alguém que me diga, por exemplo, que está a começar a escrever um livro,
esclareça ao fim de alguns minutos de conversa que “pois mas eu não tenho tempo
para ler”.
Então e tempo para escrever um livro, já tem?
Podem achar que estou a ser demasiado radical, podem dizer
que há pessoas que se inscrevem em cursos de escrita simplesmente por pura
diversão, sem qualquer tipo de ambições literárias de extrema exigência. Eu
aceito e acho que sim, podemos fazer disto um hobbie, não há mal nenhum, antes
pelo contrário. Em termos de passatempo lúdico, parece-me até bastante
interessante e saudável. Não é, no entanto, o caso de muita gente que,
tencionando de facto publicar alguma coisa (alguns mostrando motivações
bastante aguerridas e orgulho extremo no seu trabalho) se recusa a estudar o
que foi publicado anteriormente, como se pudesse simplesmente inventar o estilo,
aprendendo do zero. Ora – grande novidade – isso não é possível.
Diria mesmo que é incompreensível: se eu não gosto de ler e
vou produzir um texto literário, então isso não quererá dizer que eu não vou
gostar sequer de me ler a mim mesmo? A menos que vá ao ponto de admitir que
apenas a minha própria produção me é aceitável, negando assim todas as outras.
Mas nesse caso eu não deveria partir do princípio que os outros estejam
interessados no meu material, pois este é produto exclusivo do meu próprio ego
e como tal, apenas me vai interessar a mim e eventualmente aos meus amigos.
Isto deveria ser uma coisa óbvia, mas importa esclarecer, só
para que fique dito: nunca se consegue criar algo de novo sem aprender com os
mestres, ver o que está para trás e assimilar os paradigmas. Uma das tarefas
mais difíceis em literatura é ganhar visão objectiva do nosso próprio trabalho
e distanciarmo-nos ao máximo do envolvimento emocional que criamos com a
linguagem e com a forma. Sem nos conseguirmos situar no panorama literário, não
há absolutamente maneira nenhuma de isso acontecer.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
“Se ele fez isso, então é porque não é verdadeiramente teu amigo”
Penso que toda a gente já terá ouvido esta frase pelo menos
uma vez na sua vida. O cenário é típico: alguém em quem depositámos confiança
faz-nos alguma coisa de que não gostamos, vamos fazer queixinhas a outra pessoa
e essa resolve debitar o seu veredicto sobre a amizade em geral,
aniquilando todo e qualquer comportamento que ache menos digno, como se fosse
ela mesma a moralidade e a ética encarnadas.
Surpreende-me essa capacidade de nos julgarmos uns aos
outros e de nos arrogarmos a faculdade de decidir sobre as relações alheias. Uma amizade é uma coisa complexa, tenho vindo a pensar nisso nos
últimos tempos e as conclusões a que chego não são, de modo algum, lineares. Conhecemos
várias pessoas, ao longo da vida, que nos podem dar várias coisas diferentes.
Nós próprios mudamos e criamos necessidades diversas, que se alteram por vezes
no mero espaço de um dia. Não é por alguém nos fazer algo de que não gostamos
que o devemos imediatamente remeter para a categoria de “conhecido”. Até
porque, de qualquer maneira, muita gente nos vai fazer coisas de que não
gostamos, incluindo essa pessoa que eventualmente acabou de moralizar a outra
amizade.
O que é um amigo? Penso que haverá várias formas de responder a essa questão. Tem de ser alguém que gosta de nós, mas ao mesmo tempo, mesmo que não o saibamos, pode estar connosco por hábito, por solidão, por convenção, por fazer parte do mesmo grupo; essa motivação pode nunca se vir a manifestar concretamente e por muito que nos custe admitir, é mais frequente do que achamos. E o pior é que, da maior parte das vezes, uma coisa não invalida a outra.
Haverá, de facto, milhares de razões que nos ligam aos outros, não sendo nenhuma cem por cento pura. Não quero com isto desacreditar a minha fé no ser humano, apenas dizer que o que nos une nunca é a mais linear das relações nem a bondade pura e altruísta, nós não somos manuais de matemática ambulantes. Há sempre uma infinitude de pressupostos e sentimentos misturados, porque somos complicados.
O que é um amigo? Penso que haverá várias formas de responder a essa questão. Tem de ser alguém que gosta de nós, mas ao mesmo tempo, mesmo que não o saibamos, pode estar connosco por hábito, por solidão, por convenção, por fazer parte do mesmo grupo; essa motivação pode nunca se vir a manifestar concretamente e por muito que nos custe admitir, é mais frequente do que achamos. E o pior é que, da maior parte das vezes, uma coisa não invalida a outra.
Haverá, de facto, milhares de razões que nos ligam aos outros, não sendo nenhuma cem por cento pura. Não quero com isto desacreditar a minha fé no ser humano, apenas dizer que o que nos une nunca é a mais linear das relações nem a bondade pura e altruísta, nós não somos manuais de matemática ambulantes. Há sempre uma infinitude de pressupostos e sentimentos misturados, porque somos complicados.
Também não quero dizer que tenhamos que perdoar tudo, ou de aceitar ser tratados de qualquer maneira. Apenas acho que deveríamos começar a ser menos
extremistas e sobretudo deixar de nos julgar constantemente,
como se fossemos detentores da verdade absoluta no que diz respeito à relação
entre dois seres humanos. Vai haver, de certeza, uma altura em que vamos fazer
merda, e aí não vamos querer ouvir que “não somos verdadeiros amigos” de alguém.
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