sexta-feira, 8 de março de 2013
quarta-feira, 6 de março de 2013
Couves e animais: saber quando parar
Correndo o risco de escrever um texto altamente polémico,
não resisti, no entanto, a queixar-me aqui de um fenómeno que as redes sociais
têm vindo a potencializar e que me parece ter chegado a um limite já pouco
interessante.
Para que não restem dúvidas: considero-me uma boa pessoa e
gosto de animais, preocupo-me com o próximo, ajudo os outros, não faço mal a
ninguém e envolvo-me em questões sociais. Mas fico um bocado farta ao constatar que
tenho de ser, agora, diariamente, bombardeada com fotografias de coelhos,
gatos, osgas e grilos e que sei eu mais; que estão todos “a precisar de um
lar”, “a precisar de um transplante”, “a morrer” ou simplesmente “muito
queridos e quase humanos, olhem como eles são indivíduos especiais com
personalidade”, etc, etc
Não é que eu tenha algo contra um ideal de convivência em
harmonia cósmica, sem guerras nem poluição e com felicidade e paz para todos os
seres. Mas tanta coisa já se torna insuportável e roça quase, a meu ver, uma
espécie de loucura. Sinto, eu separo o meu lixo. Não, eu não vou dar porrada em
gatos doentes nem vou abandonar um cão velho no meio da estrada. Ok, eu posso
olhar para os rótulo do champô para ver se não foi testado em coelhinhos ou
coisa que o valha. Mas, por favor, acalmem-se um pouco.
Primeiro, acabem com essa coisa de culpabilizar o ser humano
de todo o mal que há no mundo: desde sempre que os animais se comem e matam uns
aos outros. Não que eu ache isso bom (nem estou a desculpar nada) mas é que já
chega essa ideia da expiação constante e do “peço desculpa por ser humano oh,
sou tão péssimo por ser humano (e olhem os animaizinhos, como são peludos e
puros)”.
Segundo, eu posso beber o meu leite se me apetecer e não tem
de ser de soja. Posso gostar de carne, tal como os meus antepassados desde há
milhares de anos o fazem, e isso não me torna num monstro. E posso não estar
constantemente obcecado/a com a quantidade de insecticidas na minha alface, a
sério, isso não tem de ser uma preocupação constante.
Era interessante que essas pessoas que passam os dias a pôr
fotografias de rabanetes biológicos, cães perdidos e/ou maltratados no facebook
olhassem um pouco para o mundo à sua volta: o dos humanos. De certeza que há
muita injustiça na nossa terra, a esse nível, também que com tanta confusão de animais e plantas em
extinção, acaba por lhes escapar. Aliás, talvez essas manifestações todas derivem de questões politico-eocnomicas, que nos compete combater, em larga escala. Não é para generalizar mas, segundo a minha
experiência, essa gente acaba muitas vezes por se esquecer de contemplar os
problemas e as dificuldades muito piores dos seus pares: recorde-se, as
pessoas.
segunda-feira, 4 de março de 2013
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Elefantes na sala e quem gosta de os ter
Eu era daquelas adolescentes que, de cada vez que se
chateava com alguém querido, escrevia uma longa carta. Nunca fui muito boa no
debate verbal, por outro lado, sentia necessidade de resolver, explicar e esclarecer
as situações.
Presumo que haja muita gente que, enquanto novo, sinta a necessidade de exprimir as suas opiniões alto e bom som. Depois, à medida que
vamos crescendo, acontece uma coisa muito engraçada que é o facto de os outros
à nossa volta – sobretudo mais velhos – nos começarem a dizer coisas como “caga
nisso, não vale a pena” ou “a pessoa há-de perceber sozinha”. Isto é, claro
está, uma maneira simpática de nos dizerem para não criarmos muita confusão e
não nos expormos demasiado, porque fica mal e também aborrece os outros.
Eu, do meu lado, nunca fui muito boa a cagar nisso.
Continuei com uma tentação terrível para dizer o que penso, o que acaba por
chocar muitas pessoas. Deparei-me, ao longo dos anos, com bastantes reacções de
amigos que, temendo o confronto, reagiam à minha honestidade com cara de pasmo
e preocupação, como quem pergunta “a sério, temos mesmo de falar sobre o que
aconteceu?” ou de condescendência
(“lá está a Teresa, como sempre, a tentar falar sobre o que aconteceu...”).
Isso irrita-me imenso. A uma certa altura, achei que talvez
fosse eu quem estava mal, pensando que quem sabe fosse próprio começarmos a
esquecer certas coisas mais desagradáveis de propósito, porque fingir que não
se passa nada é a maneira certa de os adultos encararem a vida. Mas não me
parece que seja.
Sinceramente, acho que à medida que vamos crescendo, ou nos
tornamos daquelas pessoas que nunca dizem nada a ninguém sobre o que as
incomoda (e simplesmente agem em concordância e vivem nunca espécie de estado
de negação permanente) ou nos estamos positivamente nas tintas para as
eventuais susceptibilidades que possam ferir e somos honestos – na medida do
decente para não ofender ninguém – porque é a única maneira de evoluir.
Penso que esse tipo de atitude é a que mais a mim se adequa.
Poupa tempo, dá-me paz e sobretudo faz-me sentir leve. Odeio elefantes na sala.
Por mim, atiro-os todos pela janela, ou pelo autoclismo, se lá couberem.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Toma lá, vai buscar
"Vejo a minha cara ao espelho para saber quem sou, para saber como me portarei dentro de poucas horas, quando me defrontar com o fim. A minha carne pode ter medo; eu, não."
Jorge Luis Borges - Deutsches Requiem
Jorge Luis Borges - Deutsches Requiem
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
O fascinante mundo da pornografia feminina
Num destes dias, estava a jantar com uns amigos, entre os
quais mulheres que se queixavam do facto da pornografia encontrada na internet
ser desenhada exclusivamente para homens.
Com efeito, não conheço muitas que achem excitantes certas
práticas que não me cabe aqui especificar, mas que, de facto, não correspondem
em nada à realidade biológica reprodutiva humana. Essas actrizes costumam
interpretar, portanto, actos que os homens gostariam eventualmente de ver as suas parceiras
fazer, mas que no fundo são tão irreais como qualquer ficção científica sexual.
Na mesma conversa, um dos intervenientes revelou-me algo que
eu na altura achei interessante (já me disseram que deveria saber isto há mais
tempo, mas nunca é tarde de mais para descobrir este mundo e o outro): há, de
facto, na maioria dos sites, uma categoria chamada “pornografia feminina”, dedicada
às necessidades e desejos dos membros do mesmo género. Fui ver e eis que
encontrei o vídeo em baixo. Não fiquem
já super-entusiasmados, antes de carregarem no link, há alguns comentários que
gostaria de fazer.
Primeira cena: temos um casal que entra naquilo que se
pretende ser um hotel de cinco estrelas. A mulher – muito impressionável – está
doida de contentamento com a suposta beleza das instalações. Uma das
exclamações, assaz efusiva, sendo sobre a mesa de mogno (?). Enfim. De seguida,
a nossa donzela fica aflita porque se dá conta de que talvez o quarto seja
demasiado caro, ao que o cavalheiro, com um tom hiper-meloso e nojento, que a
bidogaça torna ainda mais caricato, responde:
- Faz-te feliz? Se tu
te sentes feliz, é porque eu também me sinto feliz.
Segue-se cena de sexo em consequência, deduzo eu, do
maravilhoso comentário do nosso Don Juan.
Ora, teria vários apontamentos a fazer sobre este vídeo, o
principal sendo o seguinte: isto não é “pornografia para mulheres”.
É, isso sim, “pornografia para homens que acham que estão a
fazer pornografia para mulheres”. Pelos vistos, alguns ainda pensam que nos
excita imenso gastarem dinheiro à parva, porque toda a gente sabe que tipo de
gueixas superficiais nós somos. Mas eu não conheço mulheres que queiram saltar
para a cama quando o parceiro lhes paga coisas. Conheço algo muito diferente,
que é mulheres que se sentem obrigadas a saltar para a cama na mesma situação.
Normalmente, são as mesmas que fingem orgasmos, casam por dinheiro e se fazem
de burrinhas para os respectivos não se sentirem diminuídos. No fundo, se
calhar, isto ilustra bem a base de alguns malentendidos entre géneros.
Bem-vindos ao fascinante mundo da “pornografia feminina”, a
pornografia que os homens acham que as mulheres querem ver. Quanto ao vídeo em
questão, eu diria que, se nunca mais querem conseguir gostar de sexo na vida,
este é o ideal:
http://www.pornhub.com/view_video.php?viewkey=696355060
http://www.pornhub.com/view_video.php?viewkey=696355060
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
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