sexta-feira, 22 de março de 2013

Lembranças

Para começar bem o fim de semana, gostava de deixar aqui uma referência bem marcante da minha infância.
A série chamava-se Paradise e vem da geração Macgiver. Só que era muito mais interessante e completa. Numa qualquer aldeia perdida do Texas, Ethan Cord dava porrada nos malvados e seduzia as donzelas e montava a cavalo, e, e... Tudo. No fundo, Ethan Cord era o máximo.
Este cowboy, por quem todas as meninas se apaixonavam, era a companhia obrigatória das minhas horas do lanche passadas em frente à televisão, comendo cereais com leite.
Já diversas vezes me tinha lembrado dele ao longo da existência, mas só no outro dia senti a saudade necessária para ir ao Youtube relembrá-lo.
Tem qualquer coisa de heróico, mas moral e caseiro ao mesmo tempo.
Que nostálgico. Vejam.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Trastorno narcisista da personalidade? Not interested.


Tudo começa com uma cerveja ao início da noite. Explica-me que trabalhou numa marca de óculos de sol. Claro que isto não é senão uma desculpa para me mostrar os seus óculos, que supostamente custariam 500 euros, mas que, como foram feitos expressamente para ele, foram de graça e ainda têm as suas duas iniciais gravadas na aste. Oh não – penso eu, eis mais um que vai passar a noite a gabar-se. E assim foi. Este meu novo amigo, durante as três horas em que estivemos juntos, só me falou de roupa, do preço das coisas grátis que lhe ofereciam e das marcas que usava. Não sei se estava ao corrente do facto de isso ser profundamente insuportável. Suponho que não.

Serve esta introdução para me queixar das pessoas que sentem este tipo de necessidade de gabar-se. Seja sobre bens materiais, sobre quão bons são a exercer a sua profissão ou sobre outro tipo de atributos quaisquer dos quais se achem muito detentores. Pergunto-me sempre se há aqui alguma fragilidade qualquer ou uma insegurança profunda. Porque, normalmente, há. Quando somos obrigados a levar uma seca de não sei quantas horas sobre o quão bom é o outro, normalmente, é porque o outro, no fundo, não se acha assim tão bom e pensa que, convencendo-nos de que o é, se vai também convencer a si mesmo. Isto, escusado será para alguns dizer, é muito irritante.

Nas escolas americanas de escrita de ficção, ensina-se uma velha máxima chamada “show, don’t tell”, que nos diz basicamente que o leitor não acredita em nós se dissermos alguma coisa, apenas se o mostrarmos, pintando-lhe assim uma imagem visual que ele mais facilmente irá interiorizar. Deste modo, não me basta, por exemplo, dizer que “a praia é bonita”, porque isso não significa nada; devo, isso sim, descrever a tal praia, de modo a provar a minha afirmação. Na vida, muitas vezes, passa-se o mesmo, na medida em que estamos mais sujeitos a acreditar nas faculdades dos outros se eles no-las mostrarem; por oposição ao estarem o tempo todo a evocá-las oralmente. Parece-me, assim de repente, que alguém beneficiaria de umas aulas de escrita criativa. 

terça-feira, 12 de março de 2013

"Nunca paguei por uma bebida"


Entre as várias figuras características que uma pessoa pode encontrar na noite e que, já por inerência, primam na sua maioria por se exprimirem através da superficialidade, há um grupo muito particular que me chama a atenção. O das “babes” que, já adultas, se gabam de não pagar nada.
“Ai eu nunca pago nada naquele bar”, “Ai cá a mim oferecem-me sempre bebidas” – dizem elas, com um orgulho que acho ser, aos trinta anos, um bocado preocupante e deslocado.
É, ainda, sinal de quem claramente não vê o que está por detrás do conceito.

Percebo, no entanto, por que o dizem. Isso divide imediatamente, segundo as suas perspectivas, o mundo feminino entre duas categorias: as feias (a quem supostamente ninguém paga bebidas) e as bonitas (a quem as pessoas já pagam bebidas).
Tenho 28 anos e ganho o meu próprio salário. Arrisco dizer que sou interessante e sempre fui atraente. Se me apetecesse, aceitava que me oferecessem coisas. É claro que já aceitei várias vezes, enquanto nova, por inadvertência ou por ser conveniente. Mas cresci e desenvolvi um cérebro. Parece-me claro o facto de achar muito melhor ser eu a pagar as minhas próprias bebedeiras, sem para isso esta dependente de nenhum homem nojento.
E atenção, isto sem qualquer tipo de misandria: gosto muito dos meus amigos homens. Simplesmente é um bocado óbvia a ideia que está por detrás da atitude de se oferecer uma bebida a uma mulher. Nunca passaria pela cabeça de um homem gabar-se de que lhe pagam bebidas, por alguma razão. Note-se: porque isso o rebaixaria para um patamar que não lhe é interessante.

Por favor, parem de se gabar de algo que não faz sentido. É muito mais apelativo ver uma mulher bonita a pagar a sua própria conta do que a deixar-se fazer por um gajo qualquer. E isto vale para as vossas noites, a vossa casa, a vossa roupa e a vossa vida em geral.