segunda-feira, 15 de abril de 2013

Oficina de Romancistas

Neste mês de Maio, na Escrever Escrever, há também Oficina de Romancistas.




Aqui, aproveita-se o grande material literário para criar um estilo próprio. Este curso tem mais do que um “professor”, aliás, tem muitos: de Tolstoi a Nabokov, de Garcia Marquez a Bolaño, de Faulkner a Roth... Vamos experimentar estilos e géneros diferentes, desde os clássicos à modernidade, aprendendo assim os elementos de base do romance de um modo prático e dinâmico. 


Inscrições:
http://www.escreverescrever.com/verEdicao.php?id_edicao=2425&mes=05

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Oh meu Deus, a senhora da bicicleta está a olhar para mim (outra vez)


Descobri um novo desporto chamado spinning. A maioria dos comuns mortais já o fez há dez anos mas eu, como costumo andar distraída, só agora me apercebi dele e dos seus benefícios.
Para os que nunca experimentaram, o spinning consiste em fazer de conta que se anda numa biclicleta, que na verdade está presa ao chão mas que nos obriga a fazer esforços loucos e suar como um cavalo, fingindo que andamos a tentar subir montanhas ao mesmo tempo que fugimos de um tractor enfurecido ou coisa que o valha. Claro que, segundo alguns, isto é uma actividade sintomática da sociedade urbano-depressiva em que vivemos, que nos faz criar todo um mundo de ilusão sem sentido, quando no fundo devíamos era andar aí ao ar livre a correr com os passarinhos. Não discordo, mas estou-me nas tintas, porque de qualquer maneira não é esse o ponto que quero focar agora.
Gostava era de falar aqui dos meus progressos na actividade do spinning, dos quais descobri que me orgulho bastante.
Devo dizer que as primeiras aulas foram duras para o meu ego. Estava eu nos píncaros, muito orgulhosa da minha actividade, quando ouvi a voz da professora a ressoar pela sala inteira: “Teresa, ao menos tenta fazer alguma coisa.” Cai das nuvens. Alguma coisa? Mas eu achava que estava a fazer tudo bem! Passado o momento de agonia, decidi que tinha de me esforçar. Demorei algum tempo a perceber que estava na verdade a fazer tudo mal e que os reparos não eram despropositados: não sabia colocar o assento correctamente, encontrava-me mal posicionada e raramente me conseguia manter ao ritmo dos meus colegas. Resumindo, era uma nulidade. Escondia—me atrás de uns e de outros, mas a professora encontrava-me sempre e berrava repreensões suadas na minha direcção, através do seu microfone. Muito humilhante. Sou uma intelectual, no entanto, na hora da verdade, é sempre o físico que nos julga. É sempre assim, na grande selva da vida.
Mas eis que ontem o mundo se iluminou em grandeza; pela primeira vez, a professora de spinning fez-me o sinal de polegar levantado, do outro lado na sala. E hoje, nem acreditei na minha felicidade: ela fez-me o sinal outra vez! Quererá isto dizer que a minha prática de spinning se está a tornar “fixe”?!
Quando tudo correr mal, não me vou suicidar: vou fazer spinning. Eis alguma coisa em que, pelo menos, sou devidamente apreciada. 

domingo, 7 de abril de 2013

Homofobia ao contrário


Nas discussões sobre identidade sexual, ouvem-se, comummente, todo o tipo de aberrações, já se sabe. Os comentários homofóbicos são, infelizmente, quase sempre os mesmos e muito pouco originais: há aquele que “não se importa que os outros façam escolhas diferentes das dele, mas desde que se escondam, para não o incomodar muito”, os que usam expressões como “contra-natura” (entenda-se, por “natura”, a construída por eles, não a dos animais certamente), ou ainda o “já agora, por que não legalizar também a poligamia?”.
Mas há um tipo que acho ainda mais interessante. É aquele que elogia exacerbadamente “os homossexuais”, como se tivesse à partida algo a temer e colocando-os todos na mesma categoria.

“Os homossexuais têm muito mais gosto do que os outros”
“Os homossexuais são muito mais sensíveis, no bom sentido, claro”
“Lá no meu trabalho, conheço um e gosto imenso dele”
“Tenho uma amiga que tem montes de amigos assim”
“Tenho uma prima lésbica, que é super inteligente, tirou um mestrado e tudo”
Isto, claro, denota uma certa atitude trabalhada por detrás. Uma falta de à-vontade enorme, seguida de um impulso para a esconder, por desejo de integração social. Que, segundo a minha opinião, se deve reflectir num pensamento qualquer do género:
“Ok, a mim mete-me imensa impressão essa coisa de haverem pessoas que não se regem pelo ideal de família que me incutiu a sociedade e que sou demasiado fechado para questionar, mas, como me fica mal exprimi-lo e além disso, quero que me considerem um porreiro e tal, vou fingir que estou mesmo, mesmo na boa com o assunto”. Ora, nota-se perfeitamente que essa pessoa não está nada, nada na boa com o assunto.
Quem diz estas coisas, para mim, encontra-se um bocadinho ao nível daqueles que acham que uma determinada cor de pele ou nacionalidade determina o quão afável a pessoa em questão é.

Já era tempo de deixar de dividir as pessoas por categorias e grupos. Por esta altura, já deveria ser óbvio o facto de cada individuo ter a sua personalidade, independentemente de como exprime a sua sexualidade. Noto um certo desconforto, agora que estas últimas questões são trazidas para a praça pública com frequência. Espero que, um dia, a identidade sexual deixe de ser tema de controvérsia. Acho que é uma questão de tempo, mas até lá ter-se-á muitos comentários interessantes para ouvir. 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Benfica em Poesia

É já no próximo domingo, pelas 16h30, a cerimónia de entrega do prémio do concurso Benfica em Poesia, do qual fui júri.
No Auditório Carlos Paredes - Junta de Freguesia de Benfica.


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Pensamentos

"Não há nada mais vexatório do que ser, por exemplo, rico, de boas famílias, de aspecto atraente, razoavelmente instruído, nada tolo, bom até; e não obstante, não ter qualquer talento, nenhuma característica pessoal ou até singularidade, não pensar nada por si; enfim, ser positivamente "como toda a gente"."
                                                                                                     Fiodor Dostoievski - O Idiota

quarta-feira, 27 de março de 2013

Tenho “bué de cenas” na minha cabeça


Saio de casa para fazer um intervalo no trabalho, sento-me na pastelaria, com um livro, para comer um croissant com uma meia de leite. Tudo estava perfeito, até perceber que há uma intrusa no meu panorama. É uma pessoa daquelas que conhecemos mais ou menos e que normalmente é amiga dos nossos amigos. O género de gente de quem não gostamos particularmente e que também não gosta particularmente de nós, mas com a qual nos sentimos de uma certa forma obrigados a fazer conversa de chacha se a virmos na rua.
Só que desta vez ela resolve sentar-se à minha frente. A conversa começa de uma forma desajeitada, claro, já que não temos nada para dizer uma à outra. Falamos das respectivas profissões. Digo que escrevo e logo o seu olhar se enleva, revira os olhos e começa a esbracejar docemente. “Ai eu também escreveria – diz – quando era criança tinha uma vida interior muito grande e blá, blá, blá. Mas agora não tenho tempo porque blá, blá. Se calhar, quando for de férias, ou me reformar, blá. Sabes, tenho bué de cenas da minha cabeça.” – declara, com um ar importante.

Quem se dedica à escrita tem de se preparar para que partam do principio de que não faz um chaveiro, que lhe telefonem ao meio dia e lhe perguntem se ainda estava a dormir, que achem que por trabalhar em casa está sempre disponível e que assumam que tudo o que tem lhe cai do céu – porque muitas pessoas, de facto, só vêm o que está num escaparate ou num ordenado. Depois, também tem de aguentar o pessoal que tem “bué de cenas” na cabeça, mas que, vá-se lá saber porquê, nunca as partilha com o mundo.  Mas faz questão de nos falar das mesmas, para percebermos bem que, se as pusesse no papel, elas seriam tão ou mais interessantes do que as nossas.
Partindo, claro, do princípio de que a escrita não é um trabalho, mas sim qualquer coisa que se eventualmente leva a cabo quando se reformar ou quando já não se tem nada para fazer. Parece-me óbvio. Eu também estou a pensar ser, por exemplo, pintora, quando me reformar, ou for de férias. Penso que será perfeitamente possível, em tipo, um mês, passar de não entender um caracol do ofício a ser uma profissional do mesmo. Basta mandar umas pinceladas e tal, fazer uns bonecos e está feito. É que me parece que teria bué de cenas para mostrar.
Mas, tipo, mesmo bué de cenas.