terça-feira, 16 de julho de 2013

Início de...


"Há muito tempo que deixei de me perguntar quem apagou a luz dentro da minha cabeça. Suponho que tudo começou quando atingi a puberdade e uma infância relativamente aceitável se transformou num pesadelo de hormonas. Sem amigos e com dez dioptrias de miopia em cada olho, eu era alvo a abater na grande selva de sobrevivência que são os primeiros anos de liceu. Sexo, claro, não fez parte do meu vocabulário até muito mais tarde, quando de uma maneira talvez compensatória recuperei avidamente o tempo perdido, sempre que possível, pelo menos. Com a idade adulta, a comédia e o sucesso relativo, que suponho ter coroado a minha vida nos últimos anos, até muito recentemente. Mas a luz nunca se voltou a acender. Já ouvi falar de histórias assim."


Brevemente, nas livrarias. 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Albatroz

Zool. Nome vulgar de certas aves palmípedes de corpo robusto, asas compridas e estreitas, muito vorazes, que vivem principalmente nos mares tropicais, vindo a terra só para nidificarem. 


Brevemente, nas livrarias. 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Escrita Criativa na Feira da Ladra




No mais antigo mercado de Lisboa, local tipicamente português, encontram-se livros, chapéus, candeeiros, discos... mas também muitas histórias. É um lugar cheio de surpresas, onde se misturam línguas e origens, grita-se e interpela-se, regateia-se, disputa-se. Ideal, portanto, para quem quer escrever, já que criar é trabalhar a partir de estímulos.
















- Personagens, pessoas, vendedores...
- Os diálogos que por aqui se cruzam
- As histórias por detrás dos objectos


Este sábado, das 10h às 13h, inscrições:

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Escrita Criativa no bailarico

Ainda estão a pensar embebedar-se a comer sardinhas, no último fim de semana dos Santos? Nada disso.
Neste sábado, dia 29 - noite de São Pedro - juntem o útil ao agradável e venham fazer um workshop de Escrita Criativa no bailarico.

http://escreverescrever.com/verEdicao.php?id_edicao=2464&mes=06


quarta-feira, 19 de junho de 2013

As gajas da Escrever

Há dois anos que dou formações de escrita. São, sobretudo, experiências positivas, a nível do relacionamento e conhecimento humano. Não sou uma pessoa particularmente sociável - embora, na maioria das vezes, não o deixe transparecer - além de que o ofício de escritor tem em si mesmo inerente uma certa obrigação de reclusão. Esta prática da partilha tem portanto tido em mim o resultado maravilhoso de aprender com os outros, de evoluir a par com pessoas com as quais de outro modo não me encontraria. E sobretudo permite-me enriquecer, dando: o amor pela escrita, a vontade de criar, a paixão do texto literário.

Algumas das minhas formandas, movidas pela vontade de continuar o ritmo das formações na Escrever Escrever, criaram um blogue, onde certamente irão colocar textos do seu quotidiano. Posso já dizer que,  pelo que conheço das meninas, promete!

Carregar na imagem para aceder ao link

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Os Poetas do Povo

Fotografia de Estelle Valente


Foi esta segunda-feira, no Povo - Cais do Sodré. Com o Rui Zink, André Gago e José Anjos.



domingo, 9 de junho de 2013

Conversa escutada na Feira do Livro

Duas mulheres nos seus 30 e tais

Amiga 1: Já conheces este autor?
Amiga 2: Não...
Amiga 1: Ah, tens de conhecer, ele é mesmo espectacular, é mesmo o máximo!
Amiga 2: É pá, tu também, conheces com cada coisa... conheces tudo!

(Era o Gabriel Garcia Márquez)

terça-feira, 4 de junho de 2013

Feira do Livro de Lisboa

É já no próximo domingo, dia 9 de Junho, que vou estar na Feira do Livro este ano. Para conversar, assinar livros e tudo o mais.

Às 16h, no espaço Porto Editora.


domingo, 26 de maio de 2013

Se és gaja, é claro que vais escrever literatura light


O cenário é familiar. Conhecemos um homem, retrógrado, normalmente de meia idade, por razões pessoais ou profissionais. Ele pergunta o que fazemos e respondemos que escrevemos. A sua cara ilumina-se com um sorriso de condescendência paternalista – pois chega à conclusão de que somos mais uma a escrever romances de cordel. Imediatamente, podem crer que lhe passa também pela cabeça uma qualquer fantasia em que nos submetemos à sua suposta suprema genialidade – vestidas de secretárias, a receber críticas e repreensões literárias – num javardíssimo misto de desejo de impor a subjugação física e a intelectual.
Nojento e exagerado? Sim. Mas frequente? Infelizmente, também.

Admito, é algo no qual nós ainda temos um pouco de responsabilidade. Não, ao contrário do que se possa dizer, pela nossa natureza feminina inerente, mas por ainda estarmos reticentes em lutar contra uma educação que nos foi impingida, porque tal nos é de um certo modo confortável. Para escrever é preciso não ter medo da exposição e uma das coisas que se ensina às meninas bem comportadas é que elas não se devem expor demasiado. Isso é trabalho dos homens. Arriscar é trabalho dos homens, lutar e trabalho dos homens, sujeitar-se a fazer figuras ridículas é trabalho dos homens. A nós, ainda que nos custe muito admitir, ainda nos pedem para ficarmos em casa, de sutiã e cuecas, a fazer poses sensuais enquanto parimos que nem coelhos e passamos o aspirador pelos sofás da sala. Não me estou a queixar, só a dizer que ainda somos muito educadas assim. Se a libido direccionada para fora do casal, a criatividade e a irreverência nos são censuradas ao longo da juventude, é normal que depois a literatura que produzimos venha a sofrer o mesmo efeito.
Nesse sentido, parece-me normal que ainda haja um número superior de mulheres a escrever textos que se fiquem pela superfície. Como é óbvio, volto a dizer, não me parece que a falta de mulheres na boa literatura se deva a alguma espécie de determinismo biológico. É preciso quebrar a barreira da vergonha e do bom comportamento, admitir que nunca vamos ser um sex-symbol porque nunca vamos ser “misteriosas”: escrever é mostrar as vísceras.
Aí sim, e só aí, vamos deixar de ser umas patetas que falam de passeios de descapotável e cenas de engate à hora do chá.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Escrita Criativa no Martim Moniz

Foi este fim de semana mais uma edição do Escrever Sai à Rua, iniciativa criada pela Escrever Escrever. Desta vez, fomos até ao Marim Moniz, contar histórias a partir de cheiros, sabores, cores e pessoas. Uma aventura e uma pequena viagem, tanto literária como pessoal.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Palácios instáveis


Ela era diferente das outras – pensou M., vendo o seu corpo estrebuchante no escuro. Analisava, a cada compasso corporal, cada canto de pele na cinza intermitente de um nada-é-proibido. Ele agarrava-se a morder os lábios, deitava a cabeça para trás numa expressão que lhe descobria as rugas; e nunca, mas nunca, jurava, o tinha visto fazê-lo com tanta força. Juntou os joelhos e coçou-os, nervosamente. Depois, decidiu-se a fazer o que sempre fazia, sem no entanto desta vez descobrir em si o prazer de um domínio costumeiro, do alto do seu trono de madeira. Apenas uma vaga noção de que algo estava para rebentar. Eles continuaram, foi à cozinha buscar mais vinho.
- Vou sair – sussurrou, finalmente, pela porta entreaberta.
- E voltas?
- Sabes que sempre.
Os copos e os sons, na multidão-escuridão. Arrastas-te, como as cadeiras, sobre as mesas os risos espalmados. Amanhã, serás melhor, mas por enquanto transitas seminua pela tua própria inconsciência. Espremes cigarros, agarras o gelo com força mas ele cai, vomitas lentamente, contra a parede. De que é que estavas à espera? Foste tu. Foste tu tudo isto. 

domingo, 12 de maio de 2013

Papeis de género na publicidade

Aqui está um vídeo que ilustra bem até que ponto hoje, por muito que haja quem não o aceite, a questão da igualdade de género ainda não é pacífica. Se bem que, legalmente, a coisa esteja em muitos casos, resolvida, a verdade é que as construções sociais pré-estabelecidas provocam maneiras cada vez mais subtis e perversas de controlar esse factor. Claro e elucidativo, chocante às vezes, com dados precisos sobre o efeito dos media na maneira como cada um se identifica. Mais uma chamada de atenção para a necessidade de questionar tudo. Muito do que nos parece natural e inerente  à simples existência humana não passa de construções politico-sociais montadas e portanto, susceptíveis de serem abaladas.

É claro que a moda não é sempre assim e não vale a pena demonizar apenas este sector, culpando-o de todas as injustiças. No entanto, tendo ele um grande impacto na formação das nossas opiniões, parece-me que pode jogar um papel predominante e bastante positivo no assunto. Existem, já exemplos claros disso. É, de facto, por este tipo de razões que apoio aquilo que se começa a notar como um processo de androgenização da moda, em que o modelo já não corresponde a uma divisão cirúrgica homem/mulher (com os respectivos papéis ancestrais instituídos), mas sim a uma única categoria abrangente e fluida, em que cada um pode escolher aquilo que mais o identifica e com o qual se sente confortável, independentemente de um género que supostamente o determine.



terça-feira, 7 de maio de 2013

Cursos de escrita online

Os cursos online da Escrever Escrever estão em grande e a ser um sucesso. O meu "Escrever um livro: por onde começar?" vai já na 4a edição!

Inscrições para começar dia 14 de Maio, aqui:

http://escreverescrever.wordpress.com/2013/01/11/escrever-um-livro-por-onde-comecar-nivel-i/