quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A opinião do site Segredo dos Livros sobre O Albatroz

"Este é um livro escrito com uma escrita crua, fria e até mesmo filosófica e profunda. É uma das melhores escritas que encontrei nos últimos tempos e isso foi algo que me surpreendeu, conseguindo, assim, envolver-me na história. História essa que me impressionou. Através de um ambiente pesado e negro, onde o arrependimento, a mágoa e a solidão são as palavras-chave, a autora consegue transmitir-nos inúmeros sentimentos, enquanto conta a história de dois irmãos que se adoram, mas se separaram. Agora, ligados pelas infelicidades da vida, acabaram por se descobrir mais parecidos do que pensavam.

É um livro cheio de significados, significados esses ocultos através da estranha história que nos é contada pela autora. Devo dizer que houve momentos em que eu olhava para o desenvolvimento da história e pensava "a sério!?", mas esta história tem por detrás todo um simbolismo que temos que procurar.

Um livro com uma escrita fantástica e que acredito que marque os leitores de uma forma especial."


Para ler na integra aqui:

http://www.segredodoslivros.com/sugestoes-de-leitura/o-albatroz.html

terça-feira, 10 de setembro de 2013

sábado, 7 de setembro de 2013

"O problema é que são muito badalhocos"


Estudos comprovam que 1 em cada 5 portugueses já proferiu esta frase, referindo-se à comunidade gay masculina. 
Ok, estudos não comprovam, fui eu que retirei a estatística da minha fantástica experiência do mundo em geral. Mas mesmo assim, acho que não me enganarei muito nos números.

Poderia agora lançar-me num infinito ditirambo contra a homofobia que ainda está, infelizmente, generalizada na nossa sociedade. Em vez disso, sugiro-vos que andem comigo um pouco atrás na História, para um momento de nostalgia infantil:

Quando cheguei à puberdade, nasceram-me, a mim e às meninas da minha turma, umas coisas chamadas maminhas. Imediatamente, começámos a ser requisitadas para fazer algo chamado “curtir”, prática que consistia nuns beijinhos atrás de uma árvore. A quem respondesse a essa solicitação com frequência, ou apetecesse ir além dos beijinhos, era chamada de “puta”, palavrão esse que era usado com o mais comum dos vagares.
Muito cedo, as raparigas percebem que, para preservar a sua dignidade, terão de manter, quanto aos seus impulsos carnais, um relativo secretismo. Enquanto os seus companheiros serão louvados pelas suas conquistas, o mesmo, com elas, acontece geralmente ao contrário.
Flash-forward para o momento presente:
Estamos no Lux, uma distoteca betinha maioritariamente heterossexual, em que as mulheres são com frequência solicitadas para fazer todo o tipo de porcarias. É muito comum que, mesmo que lhes apeteça, não o façam. Manel atira-se a Maria à descarada. Maria acha Manel atraente e já lhe dava umas cambalhotas, mas pensa “agora não, as minhas amigas estão a ver, e Deus sabe o que vão pensar”. Xavier e Matilde tiveram um date romântico. “Não podes ir para a cama logo na primeira noite, não podes ser fácil”, diz o instinto auto-repressivo de Matilde, formado ao longo de anos de experiência nesta sociedade super igualitária em que vivemos.
Logicamente, a situação acalma-se.
Uma discoteca hetero é um lugar vagamente sensual, no qual a generalidade dos homens tenta fazer avanços à generalidade das mulheres, que, apesar de decotes brutalmente sugestivos e saltos hiper-desconfortáveis que fazem lembrar fantasias fetichistas de alto grau, recuam com caras pudicas e trejeitos coquettes, segundo lhes foi ensinado que era a boa maneira feminina.

Enquanto isso, numa discoteca gay:
João quer dormir com Manel, João dorme com Manel. José quer beijar Mário, José beija Mário. Miguel quer ir fazer coisas porcas, para o jardim, com Josefim. E por que não? Miguel faz coisas porcas, no jardim, com Josefim. Ivan quer dormir com Cláudio, António e Pedro... e adivinhem: Ivan vai dormir com Cláudio, António e Pedro. Sem problema nenhum.
O que se passa muitas vezes é que a noite gay masculina apenas representa a enorme orgia que nós já todos sonhámos pelo menos uma vez que fosse a nossa vida.
E digo isto partindo do princípio de que é claro que as pessoas que se identificam como gays não são todas badalhocas. E isto acontece porque.... as pessoas não são todas badalhocas.

Percebem onde quero chegar, amigos homofóbicos? Não, não há nenhum gene especial de badalhoquice, na homossexualidade. Há, sim, seres humanos que gostam de sexo, porque isso é essencial à perpetuação da espécie. Uns são levados a explorar esse instinto, pela sua educação, outros são levados a reprimi-lo. Tão simples quanto isso. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Namorada bio - namorada light


Toda a gente que já dedicou o mínimo de ponderação ao assunto pode concluir que, nos tempos dos nossos avós, o engate era uma coisa lixada. Primeiro, havia os olhares. Depois, os passeios, os jantares, os bilhetinhos, o jantar com os pais. Demorava-se anos a dar um beijinho que fosse. Havia muita masturbação, sob o olhar judicioso do pároco. E depois havia os bordeis.
Os senhores de antigamente (as senhoras não, porque jamais se ousaria imaginá-las sujeitas a tais ímpetos impuros), coagidos às normas estritas da época, no que dizia respeito ao pudor e ao sexo, eram por assim dizer obrigados a satisfazer os seus impulsos carnais noutro lado.

Nas últimas décadas, como sabemos, tudo mudou. Isso tem um lado positivo. Hoje em dia, a mulher não precisa de se esconder ou de andar a dar satisfações a seja quem for, aborda o tema livremente e melhor: não tem de fingir que não gosta de sexo, o que é um alivio.
No entanto, com a banalização do sexo casual, surgiu também um fenómeno que se espalhou em massas, e a que gosto de chamar a namorada light.
Já todos ouvimos a história. “Ele disse-me coisas carinhosas, mas já não me liga há quatro dias.”; “Ele anda muito ocupado, por isso só me liga a partir das dez da noite ou quando está bêbado.”; e a minha preferida: “Ele dorme comigo, mas diz que não está preparado para uma relação”.
Pior, numa certa medida, em maior ou menor grau, já quase todas as mulheres adultas fizeram parte desse tipo de história. É inevitável.
Com a chegada do sexo fácil, e sendo este encarado com uma coisa cool, é muito mais provável que o mesmo seja aproveitado essencialmente pelos homens. Quer queiramos quer não, a generalidade das mulheres andou a ver demasiados filmes e desenhos animados durante a infância. Enquanto os meninos destruíam pontes com camionetas da Playmobil e recebiam lições de como engatar miúdas por parte de um tio qualquer que bebia demasiado gin à hora de almoço, as meninas viam A Bela Adormecida e A Rainha da Sucata (novelas da Sic: o pior que pode haver em termos de preparação para a vida real). Aí, era-lhes ensinado que existia uma coisa chamada amor à primeira vista e que quando o encontrassem, teriam também um parceiro eterno e iriam ser muito felizes. Não quer dizer que isso não exista (vou saltar agora, por questões práticas, por cima da análise da questionável relação de causalidade entre estes três elementos). Mas, na maior parte das vezes, há pelo menos 8 chances em 10 de ele não ser o Zé-do-bairro que trouxemos no outro sábado para casa depois de uma noite de bebedeira total.

A namorada light é a namorada confusa que, gostando de sexo e tendo decidido ceder aos seus impulsos, achou que tinha encontrado o príncipe encantado e decidiu dar-se a ele na mesma noite, na sua própria adaptação moderna dos contos infantis que ouvia.
No entanto, a menos que a gratificação funcione no seu pleno para os dois lados (o que é uma hipótese obviamente válida) não vale a pena quando apenas uma das partes espera que a situação evolua muito mais - e seria uma hipocrisia negar que esta parte é, na generalidade dos casos, a feminina. Se preciso for, façamos as coisas à moda antiga: afinal, a masturbação e os bordeis ainda estão lá por alguma razão. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Escrever é sexy

E por isso, mais uma razão para te inscreveres para a semana. "Escrever um livro: por onde começar?", o curso começa na terça-feira.
Mais informação aqui. 


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Tatuagens, Ferraris e fotos de gajas boas em cuecas... ok, uma gaja boa em cuecas e as outras são questionáveis


Quero exprimir aqui a minha super-controversa opinião sobre um assunto. Que é (a sério, vai parecer muito revolucionário, porque embora seja um tema mais do que batido, ainda não vi ninguém atrever-se a dizer isto, mas...). Ok, estão preparados?
Uff...
Então, aqui vai:
Estou-me completamente a cagar para o Lorenzo Carvalho.
Pronto, já o disse. 
E estou neste momento à espera que o menino Jesus desça à Terra para me repreender a falta de sensibilidade e compaixão. Mas não quero mesmo nada, mas mesmo nada, saber dele. E intriga-me como é que isto pode sequer ser tema de discussão, muito menos de uma discussão tão acesa (sim, e eu sei, estou, eu própria, a discutir o tema agora, o que me enerva imenso). Mas, o que aconteceu, de repente, pessoas? Acordaram para a vida do país e é isto que se lembram de comentar? Há muito tempo que não tinha visto alguém ser defendido de uma maneira tão aguerrida. Nem quando a Sónia do Big Brother levou um pontapé do Marco. Nem aí. E foi o primeiro dos Big Brothers.

Eu percebo que tenha sido uma entrevista parva. Eu percebo que era apenas um miúdo que não fez mal a ninguém. Até percebo a reacção à injustiça de a jornalista em questão nunca se ter lembrado de perguntar a um politico, por exemplo, quanto valia o seu relógio. Mas a verdade é que também nunca ninguém antes se tinha lembrado de acusar a jornalista de não ter perguntado a um politico quanto valia o seu relógio, de qualquer maneira. Não foi hoje que a classe politica dirigente do nosso pais começou a fazer negócios manhosos, com dinheiros públicos. Não foi hoje que a injustiça social em Portugal começou. E não foi hoje que os políticos começaram a comprar relógios com o nosso dinheiro.

Mas pelos vistos, foi hoje que os portugueses um pouco por toda a parte se lembraram de se insurgir contra... qualquer coisa.

E quanto a mim, esse qualquer coisa foi bastante ao calhas.

Estou-me completamente a cagar para o Lorenzo Carvalho. Para mim, se a Judite de Sousa tivesse entrevistado o Lorenzo Carvalho, ou um pinguim, era o mesmo. É indiferente. 
E o que me revolta é que sendo tão apáticos, no geral, e tendo tanto para debater no nosso país actualmente, resolvamos acordar de repente para isto.
Ok, não foi um momento televisivo muito bom. Mas isso não torna o mesmo interessante. É apenas um miúdo de tatuagens com dinheiro para quem alguém foi um bocadinho mais idiota. Mas, mais uma vez, que eu saiba, há entrevistados a serem tratados de maneiras idiotas todos os dias, e nunca ninguém se lembrou de fazer uma insurreição disso.

A Judite de Sousa subestimou o povo português. Viu um puto rico, novo e quiçá um pouco ingénuo e decidiu tentar brilhar à sua custa. Do que ela se esqueceu é que, para nós, melhor do que uma boa injustiça social é a possibilidade de achincalhar uma jornalista bem sucedida, com pouco poder de cálculo e demasiado tempo de antena livre. E depois o fenómeno espalha-se em massa, porque já se sabe: se um grita, mesmo que o assunto seja irrelevante, os outros também têm de gritar. E assim, todos perdemos tempo com um assunto que não interessa ao menino Jesus, mas que é fixe porque mete carros, malta estrangeira e a Pamela Anderson.
Eis o povo português. Esfomeados? Sim. Mas bimbos a valer quando é preciso? Sobretudo. 

sábado, 24 de agosto de 2013

Revista de Imprensa

Amanhã, vou estar na Revista de Imprensa da Sic Notícias, para comentar os jornais deste fim de semana. 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Escrever um livro em Agosto

Tantas vezes temos algo para contar, mas falta-nos dar o primeiro passo! 

Este é um curso que nos ensina que escrever é uma arte, mas pode ser trabalhada, tal como um oficio.

Para aqueles que têm uma ideia em mente mas não sabem como pô-la em prática, para os que já começaram mas precisam de um pouco de orientação, ou até para aqueles que estão simplesmente curiosos em saber como funciona o processo da escrita do livro. 

Da ficção à não-ficção, vamos dar corpo às nossas ideias e pô-las em prática.

Horários a começar já para a semana, de manhã e de tarde:

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Entrevista no Diário Digital

"A morte do pai de Jesus desencadeia todo o livro de Teresa Lopes Vieira, que procurou ir contra o género instituído «conflito+procura+resolução». Deste modo, a autora resolveu escrever uma obra onde o passado, a memória, acaba por ser o motor do enredo. «Quando puxamos uma personagem, que começa a fazer força para não se mexer, o mundo vem atrás e forma uma espécie de explosão à sua volta», refere. "

Para ler na íntegra aqui. 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Aprendendo a viver com Pedro Bezukhov

"Agora, durante essas três semanas de marcha, revelou-se-lhe uma nova e consoladora verdade: que nada há verdadeiramente terrível neste mundo, que não há no mundo situação na qual o homem seja completamente infeliz e escravo. Aprendeu que há um limite para o sofrimento e para a liberdade.
(...)
Pedro caminhava, olhando o chão e contando os passos de três em três, pelos dedos. Como se dirigisse à chuva, interiormente, dizia: "Pois seja, continua, continua!"

                                                                                          Guerra e Paz - León Tolstoi

quarta-feira, 31 de julho de 2013

A opinião do blogue Bran Morrighan sobre O Albatroz

"Estreei-me na escrita de Teresa Lopes Vieira com a obra Os Diários da Mulher Peter Pan e, confirmando quando conheci a autora pessoalmente, soube que estava perante uma escritora diferente, que dá o seu toque único às suas obras deixando a sua marca no leitor. O Albatroz, uma obra dura, realista e com muito para se concluir com a sua leitura, confirmou isso mesmo."
Ler mais aqui



terça-feira, 23 de julho de 2013

O Albatroz - trecho

«O corredor carregava em si uma mistura de suor velho, tabaco e água-de-colónia da feira de Colares. Porque quando as pessoas morrem, os seus odores pairam, teimosos, agarram-se aos objectos, recusam perceber que já não pertencem a lado nenhum. Células sem dono passeiam-se pelo espaço, desconhecendo que agora vagueiam sozinhas e que é o seu destino perderem-se no corpo das plantas, dos bichos, do lixo; servir de adubo virtual para tudo o que ainda permanece. Talvez a vida fosse assim, uma regeneração constante.»

sábado, 20 de julho de 2013

O Albatroz


Jesus é um comediante desempregado que procura refúgio na casa do pai morto, em pleno centro de Lisboa. Liberdade, a sua irmã, uma pseudoatriz de novela cuja carreira foi propulsionada por uma participação num reality show. No meio de memórias, certas questões colocam-se: o que acontece quando perdemos tudo? Podemos ser criminosos apenas por acaso? Porque é que os nossos familiares são, por vezes, os nossos piores inimigos? Um enredo de reencontros, fugas e colisões inevitáveis.