Estudos comprovam que 1 em cada 5 portugueses já proferiu
esta frase, referindo-se à comunidade gay masculina.
Ok, estudos não comprovam, fui eu que retirei a estatística
da minha fantástica experiência do mundo em geral. Mas mesmo assim, acho que
não me enganarei muito nos números.
Poderia agora lançar-me num infinito ditirambo contra a
homofobia que ainda está, infelizmente, generalizada na nossa sociedade. Em vez disso, sugiro-vos que andem comigo um pouco atrás na História, para um momento de
nostalgia infantil:
Quando cheguei à puberdade, nasceram-me, a mim e às meninas da minha turma, umas coisas chamadas
maminhas. Imediatamente, começámos a ser requisitadas para fazer algo chamado
“curtir”, prática que consistia nuns beijinhos atrás de uma árvore. A quem respondesse a
essa solicitação com frequência, ou apetecesse ir além dos beijinhos, era chamada de “puta”, palavrão esse que
era usado com o mais comum dos vagares.
Muito cedo, as raparigas percebem que, para preservar a sua dignidade, terão de manter, quanto aos seus impulsos carnais, um relativo secretismo.
Enquanto os seus companheiros serão louvados pelas suas conquistas, o mesmo,
com elas, acontece geralmente ao contrário.
Flash-forward para o momento presente:
Estamos no Lux, uma distoteca betinha maioritariamente heterossexual, em que as
mulheres são com frequência solicitadas para fazer todo o tipo de porcarias. É muito comum que, mesmo que lhes apeteça, não o façam. Manel atira-se a Maria à descarada.
Maria acha Manel atraente e já lhe dava umas cambalhotas, mas pensa “agora não, as minhas amigas estão a ver, e
Deus sabe o que vão pensar”. Xavier e Matilde tiveram um date romântico. “Não
podes ir para a cama logo na primeira noite, não podes ser fácil”, diz o
instinto auto-repressivo de Matilde, formado ao longo de anos de experiência
nesta sociedade super igualitária em que vivemos.
Logicamente, a situação acalma-se.
Uma discoteca hetero é um lugar vagamente sensual, no qual a
generalidade dos homens tenta fazer avanços à generalidade das mulheres, que,
apesar de decotes brutalmente sugestivos e saltos hiper-desconfortáveis que fazem lembrar fantasias fetichistas de alto grau, recuam com caras pudicas
e trejeitos coquettes, segundo lhes foi ensinado que era a boa maneira feminina.
Enquanto isso, numa discoteca gay:
João quer dormir com Manel, João dorme com Manel. José quer
beijar Mário, José beija Mário. Miguel quer ir fazer coisas porcas, para o
jardim, com Josefim. E por que não? Miguel faz coisas porcas, no jardim, com Josefim. Ivan
quer dormir com Cláudio, António e Pedro... e adivinhem: Ivan vai dormir com
Cláudio, António e Pedro. Sem problema nenhum.
O que se passa muitas vezes é que a noite gay masculina apenas representa a enorme orgia que nós já todos sonhámos pelo menos uma vez que fosse a nossa vida.
E digo isto partindo do princípio de que é claro que as pessoas que se identificam como gays não são todas badalhocas. E isto acontece porque.... as pessoas não são todas badalhocas.
Percebem onde quero chegar, amigos homofóbicos? Não, não há
nenhum gene especial de badalhoquice, na homossexualidade. Há, sim, seres humanos que gostam de sexo, porque isso é essencial à perpetuação da espécie. Uns são levados a explorar esse instinto, pela sua
educação, outros são levados a reprimi-lo. Tão simples quanto isso.