segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A mãe das coisas

A fotógrafa Estelle Valente desafiou-me a fazer um texto a partir deste trabalho seu. O resultado ficou bastante engraçado, é só carregar na fotografia para ver.


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Drunk shaving (ou o dilema da mulher bêbada do século XXI)


A língua inglesa é mais sensível a bons títulos. Com efeito, pode ser capaz de condensar em uma ou duas palavras aquilo que nós, portugueses, demoraríamos uma frase a dizer.
Drunk-shaving é um bom exemplo disso: foi um termo que surgiu em conversa com uma amiga estrangeira, correspondente ao acto de se fazer a depilação quando se está bêbada.

Para não cair na maior das vergonhas, a mulher tem de se depilar. É um facto. Não usamos saias, nem vamos à praia, com pelinhos nas pernas.
Mas fazer a depilação, não há como negá-lo, é chato, dói e custa um dinheiro parvo.
Às vezes, vale a pena perguntar porquê? É antinatural. As australopitecas não andavam assim e continuavam a ser atraentes para a espécie.
Hoje em dia, porém, a mulher sexualmente activa tem de ser uma sereia imberbe, macia que nem uma corça e suave que nem um bebé. Tudo isto deve surgir muito naturalmente, claro. Até mesmo falar do assunto parece vergonhoso, como se tivéssemos de o esconder: como se a própria mulher devesse nascer depilada.

No inverno, não temos de usar saia nem de ir à praia.  Nesta época do ano, temporadas existem em que a mulher solteira leva uma vida relaxada, em que no seu intimo mais se parece com um homem e isso não tem problema absolutamente nenhum: continua a gostar de si mesma a achar-se bonita. As suas antepassadas australopitecas sorriem-lhe e aprovam.
Mas todo esse relaxamento se vai abaixo se aquando de uma interacção menos inesperada e... eventualmente alcoolizada, resolve levar um homem para casa. Sem pensar muito no assunto, encontra-se num tête-a-tête romântico, com um Zé-Manel qualquer pronto a saltar-lhe para cima, e vice-versa.

E agora? O cérebro não está suficientemente inteligente. O Zé-Manel é demasiado apelativo. A mulher corre para a casa de banho.
Enquanto o parceiro/a aguarda na sala, provavelmente achando que ela está a sofrer de diarreia ou a cheirar meio quilo de cocaína, a mulher não precavida dá inicio ao arrojado processo de fazer o drunk shaving. De utensílio em riste, desdobra-se em manobras circenses a contra-relógio, palco para todo o tipo de catástrofes: quedas na banheira, inundações, cortes profundos ou até queimaduras de segundo grau.
Tudo em nome do sexo, delicado e macio, que nem uma corça.
No dia a seguir, o mais provável é descobrir-se que a coisa não foi assim tão bem conseguida. É provável que o produto da nossa acção desemboque num misto de sereia com australopiteca. Ou zebra. Ou uma corsa que foi chamuscada num poste eléctrico.

Hoje em dia, das duas uma solução para a mulher solteira: ou vai ter de andar a fazer cálculos mentais constantes (será que pretendo safar-me esta noite?), ou terá de se tornar perita no drunk shaving.

Será que há aqui alguma coisa que está mal? Não poderíamos nós, de uma vez por todas, apenas começar a dizer: não fiz a depilação, mas não faz mal porque... tu também não?

Deixo a questão no ar. E agora com licença, que vou só ali ao Cabeleireiro da Lisette. Nunca se sabe o que me poderá acontecer hoje à noite e não quero acordar com a casa de banho a arder.

sábado, 19 de outubro de 2013

Jovens Criadores 2013

Já se encontra online a Colectânea de Jovens Criadores 2013, na qual participo com o meu trabalho poético Irmão-Longe.

Para ver aqui:

http://www.1kcloud.com/s3phKvx/page36.html#/66

Caldas da Rainha

Logo à tarde, vou estar na Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha, às 18h00 para uma conversa com leitores. 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Conversas ao Fim da Tarde

Na próxima quarta-feira, dia 9, volto a Coimbra.
Desta vez, é na Biblioteca Municipal, onde já fui no ano passado acolhida com muito carinho e amizade.

Se andarem por lá, estão convidados a aparecer, para conversarmos sobre O Albatroz, entre outros assuntos que acharem bem abordar.


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Jantar revivalista e por que escolho não ir


Fui convidada para um jantar de revival, organizado pelos meus ex-colegas de liceu. Andei nesta escola a juventude toda, por isso são pessoas que conheço há muito.
Tentei postar um texto no evento, a explicar a minha recusa, mas, depois de uns problemas técnicos que não o permitiram (era longo demais), resolvi que seria igualmente bom colocá-lo aqui, e pôr lá o link para o blogue.
Até porque as ideias expressas reflectem a minha opinião relativa a eventos deste tipo, no geral. E se achei o caso suficientemente importante escrever tanto, a verdade é que mas vale também publicar aqui.


Olá,

Ia carregar, mais uma vez, no botão de recusar um jantar do liceu e ocorreu-me que seria interessante explicar.
Até porque eu própria me perguntei: será que devia ir? Mas não me apetece ir! Mas por que é que não me apetece ir? Será isto normal?

Então, após alguma reflexão, cheguei à conclusão de que não tenho nada contra estes jantares, nem contra aqueles que os frequentam. No entanto, há razões muito específicas pelas quais eu escolho não ir:

No liceu, fiz amigos. Pessoas com quem me identifiquei, de quem gostei e que gostaram de mim. Continuo a falar e a estar com essas pessoas, e não preciso de um evento à escala da minha antiga escola para me recordar de que ainda quero estar com eles e ainda gosto deles. Simplesmente, quando me apetece fazê-lo, pego no telefone e faço-o.
Nos dias que correm, ainda temos o Facebook, uma maneira de dizer “até te curto, vamo-nos manter em contacto”.
Na minha opinião, é o que acontece às pessoas que querem estar umas com as outras: se querem, estão, se não querem, não estão. Se querem, falam, se não querem, não falam.

Eu não me acho melhor do que ninguém. Simplesmente não tenho paciência para perder uma noite a fingir que “o mundo se meteu entre nós” ou “ando tão atarefada e...ups, já passaram 10 anos!”. Não, porque não acredito nesse tipo de acasos. Amigos são amigos e aqueles que ficam, ficam. Mesmo que trabalhem 12 horas por dia ou que vivam no cu de judas.

Portanto, e muito resumidamente: não me levem a mal, mas se não vos vejo há 15 anos, é porque provavelmente não vos quero ver. E vice-versa.

De cada vez que encontro alguém do Liceu na rua (alguém com quem, por “coincidência”, não tenha combinado nada nos últimos 15 anos), é sempre a mesma conversa: “há tanto tempo”, “temos de combinar alguma coisa”. Mas sabem que mais? Não, não temos.

Aliás, odeio esse tipo de hipocrisia. Odeio quando alguém me diz que vai ligar e não liga, ou ter eu própria de estar nesse tipo de posição em que prometo coisas que não cumpro.

Dos 14 aos 15 anos, fui vítima de bullying. Não estou ressabiada nem guardo rancor, porque não acredito no mal absoluto, nem no bem absoluto. No entanto, também não faço questão de me sentar na mesma mesa do que alguém que, diariamente, me chamava puta e ameaçava de tareia, chamava maricas aos meus amigos e se gabava de bater em mulheres.
Do mesmo modo, não tenho respeito pelas pessoas que lhe foram coniventes ou professores que fecharam os olhos. Nos últimos anos, recebi mensagens (de pessoas que dantes me mandavam mensagens a chamar nomes), como se nada fosse, a perguntar pela minha vida profissional. Há muita estranheza no mundo. Eu faço o máximo para não pactuar com ela.

Enervam-me os jantares de revival, em que fingimos ser todos amigos de pessoas que em tempos detestámos, que nos detestaram ou maltrataram sem razão, que desprezámos ou nos desprezaram –  apenas porque partilhámos a mesma sala de aulas.
Em que se fingem emoções que não se sentem e se dão abraços sem conteúdo, apenas para aparecer bem numa fotografia.
Em que beijamos pessoas que nunca mais vamos beijar.
Em que se pratica o “gozava contigo na escola mas agora somos tão amiguinhos” e o “estive na tua turma 5 anos e nunca te dirigi a palavra, mas agora dá aí o teu cartão porque talvez me dês jeito”.
Não acho que o passado nos defina, mas faz parte de quem somos e negá-lo é negarmo-nos.

Enervam-me os jantares de revival, também porque nunca ninguém vai realmente lá para reviver seja o que for. Quer dizer, não duvido que haja alguns espíritos altamente entusiastas nesse sentido (e entre vocês, pessoas genuinamente bem intencionadas), mas a maioria  vai a essas coisas para jogar ao perdi-dez-quilos-olhem-para-as-minhas-mamas-novas, ao a-minha-profissão-é-melhor-do-que-a-tua ou ao os-meus-filhos-são-mais-giros-do-que-os-teus. E desculpem-me a sinceridade, mas eu estou-me completamente nas tintas para a vossa profissão e para os vossos filhos (as mamas novas ainda vá, mas mesmo assim prefiro as genuínas).  
Não quero saber quem se meteu na droga, quem foi para stripper, ou quem ficou milionário. E vocês também não querem saber de mim, o que é óptimo sinal, porque quer dizer que têm vida própria.

E isto não é um juízo de valor a vosso respeito. Acredito nas vossas boas intenções. Isto é apenas uma explicação de porque é que eu não vou, nada mais. Porque me convidaram e porque o Facebook me pede para explicar.

Bom jantar. Àqueles com quem nunca falo: eu não vos odeio! Apenas me é indiferente saber da vossa vida.
Àqueles com quem quero estar, vão continuar a receber notícias minhas, porque gosto de vocês. É o que eu faço e é aquilo em que acredito.
Beijo. 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013