quinta-feira, 31 de maio de 2012

A Grécia, nós

Aproximam-se as eleições (dia 17 de Junho) neste país, e chamo a atenção para dois documentos onde podemos encontrar opiniões informadas sobre um caso que é o espelho do que se passa aqui. Somos nós! A mesma coisa está a acontecer à economia portuguesa e não podemos assistir impassíveis.
De olhos postos na Grécia, aguardo com expectativa os resultados. Será o momento para um povo que, ao contrário do nosso,  decide fazer ouvir mais alto a sua voz? Veremos.

Entretanto, recomendo:

  • Um artigo bastante interessante de Slavoj Zizek sobre a Europa e os gregos:
http://www.lrb.co.uk/v34/n11/slavoj-zizek/save-us-from-the-saviours

  • E um excelente documentário, dos mesmos autores do já célebre Dividócracia, aquele que, basicamente, punha em causa a própria legalidade da dívida.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Bom dia, universo (tudo bem)


Hoje não vou levar trabalho para casa nem vou trabalhar em casa, porque casa é casa.
Não abro o computador, nem olho, nem penso. Porque hoje, sim, hoje, vou ”@‰¶.
Se me telefonarem, não estou. Se chamarem, não ouvi.
Vou ficar na cama até o sol já ir alto. Deambular sem ir a lado nenhum e falar com pessoas ao calhas, porque achamos sempre que somos simpáticos por algum motivo mas não tem de ser assim.
Hoje vou fazer tudo mal. Vou começar pelo fim. E depois lembrar-me do meio, mas só quando forem horas de acabar. Vou trocar os nomes da gente e dizer o que penso e ser quem me apetece, para depois me enganar. Hoje não te vou tentar agradar. Vou vestir-me de nua. Vou aparecer demasiado. Não vai ser suposto, mas vai acontecer.
Hoje não me vou preocupar em provar
                            sei lá o quê
Hoje vais gritar que não me conheces, ou que não me moldaste assim. Mundo. Mas, é difícil estar do lado de quem corre e salta e não dorme, e não anda a passo mas a galope.
Nas crinas da terra faz sempre mais frio, mas hoje foi o dia em que não vesti gabardine. 

terça-feira, 22 de maio de 2012

Worskhop - fim de semana

Dias 26 e 27 de Maio, abre outro worskshop "Escrever um livro: por onde começar?", na Escrever Escrever. Para aqueles que gostavam de experimentar, mas não têm tempo durante a semana, este é ideal!


http://www.escreverescrever.com/verEdicao.php?id_edicao=1943&mes=05

domingo, 20 de maio de 2012

Despentes e o feminismo pró-sexo


Violação, prostituição e pornografia. São os três vectores principais deste ensaio, que nos propõe uma teoria revolucionária quanto ao modo de olhar a sexualidade.

Há que primeiro conhecer a autora. Virginie Despentes nasceu em Nancy, durante uma adolescência rebelde e conturbada, os pais chegaram mesmo, à laia de desespero, a enfiá-la num asilo psiquiátrico. Terminado o liceu, mudou-se para Lyon, onde exerceu todo o tipo de actividades: caixeira de supermercado, mulher a dias, crítica de filmes pornográficos e até mesmo prostituta.
O seu primeiro livro – Baise-moi (Fode-me) – foi tão bem sucedido quanto controverso, já que se tratava da mais pura afronta social. Seguiram-se outros livros, filmes, prémios. Neste momento, Despentes é uma das mais aclamadas autoras francesas.

O que é o feminismo pró-sexo? Nascida nos anos oitenta nos Estados Unidos, é uma teoria que defende que a mulher deve poder utilizar o seu corpo e vendê-lo se bem lhe apetecer. Olha para a criminalização da prostituição como apenas mais um factor de marginalização das populações desfavorecidas e um meio de reconfortar o ideal judaico-cristão de família tradicional que nos foi, basicamente, imposto.
Segundo a autora, representar o conjunto das trabalhadoras do sexo através da, por exemplo, escravatura humana das máfias de Leste, é tão redutor como falar dos trabalhadores têxteis mostrando crianças na Índia metidas em caves.
Falemos de uma mulher cuja principal função de vida não é agradar ao homem, o que, hoje em dia, ainda nem sempre é verdade. E portanto: “Nem sempre é evidente a distinção entre a prostituição e o trabalho assalariado legal, entre a prostituição e a sedução feminina, entre o sexo tarifado e o sexo interesseiro, entre aquilo que conheci durante aqueles anos < de prostituição > e os anos seguintes < como escritora de sucesso >. O que as mulheres fazem com o seu corpo, a partir do momento em que à volta delas há homens com poder e dinheiro, parece-me, bem vistas as coisas, muito parecido. Entre a feminilidade vendida nas revistas e feminilidade da puta, a nuance escapa-me completamente. E, embora não exponham claramente os seus tarifários, tenho a impressão de ter vindo a conhecer muitas putas nos últimos tempos. ”
E continua: “Tal como o trabalho doméstico e a educação das crianças, o serviço sexual feminino deve permanecer caridoso. Dinheiro igual a independência. O que consiste um atentado moral no sexo tarifado não é o facto da mulher não sentir prazer, mas que ela se afaste do lar e ganhe o seu próprio dinheiro. A prostituta é a “atacante”, aquela que se apropria da cidade. Trabalha fora do doméstico e da maternidade, fora da vida familiar. Os homens não precisam de lhe mentir nem de a enganar, assim, ela arrisca-se perigosamente a tornar-se na sua cúmplice.”

Relativamente à violação e à pornografia, Despentes também encontra coisas interessantes a dizer, das quais penso falar posteriormente.
É fascinante ler a autora, embora este livro em particular não tenha sido publicado em Portugal (mas pode-se encontrá-lo em francês, espanhol, inglês e português do Brasil), o último - Apocalipse Baby -  foi.
Falamos, cada vez mais, numa revolução que se propõe pôr em causa a própria distinção de géneros. 



terça-feira, 15 de maio de 2012

“A força politica conquista-se.”



E é assim, meus amigos, a opinião começa a ser unânime. Somos todos gregos e já é hora de deixarmos de ser bem comportadinhos para nada. 



segunda-feira, 14 de maio de 2012

Próximas paragens

Esta semana, Gato Persa Social Club volta à estrada, com apresentações:

- Na quarta-feira, dia 16 de maio, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras;

- Na quinta-feira, dia 17, na Biblioteca Municipal de Castelo Branco (mais informação aqui).

terça-feira, 8 de maio de 2012

Feira do Livro 2012

Este sábado, dia 12, vou estar na Feira do Livro de Lisboa, para autógrafos e conversas.

Às 17h30, no espaço do Grupo Porto Editora!

sábado, 5 de maio de 2012

Arte, dor e loucura


Dizia Rubem Fonseca – não ouvi, vi na imprensa – por ocasião da sua visita a Portugal aquando do festival Correntes d’Escritas, que um dos requisitos do bom escritor é ser um bocadinho louco. Acho que sim. Permito-me acrescentar outro: a dor. Não conheço praticamente nenhum grande escritor que não tenha sofrimento no seu texto. E esse vem, intui-se de uma maneira ou de outra, de uma experiência, porque, por muito imaginativos que sejamos, há sempre sensações que não podiam estar ali por outra razão. Fundos de verdade nas entrelinhas sem os quais a autenticidade seria inexistente. Acho, sinceramente, que as pessoas a quem a vida sempre correu bem, regra geral, não conseguem produzir boas peças artísticas. O criador. O cria dor. Não me quero arrogar nada. Não estou sequer a falar de mim, porque é impossível fazer-se uma autoanálise sóbria nesse sentido (se acho que escrevo bem? Sim, mas se não achasse não escrevia, por isso quem sou eu para dizer). Apenas falo do que leio. Nem que seja porque, como dizia Tolstoi, “As famílias felizes são todas iguais, as infelizes são-no cada uma à sua maneira”. Ou seja: a história, a interessante, é sempre sobre aquele que sofre. Arte sem dor não é nada. Dor que se viveu e sentiu, dor que se pariu de novo no momento repetitivo da criação. Escrever é vomitar. É aliviar uma doença que se tem dentro e que precisa de sair para nos deixar viver em paz. 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Merdas inúteis


Se há algo que o Facebook tem feito pela humanidade, é reduzir-lhe o ego significativamente. Numa altura em que já nos achávamos o máximo por poder fingir ser peritos em quase qualquer matéria com um simples search no Google, o Facebook vem lembrar-nos de que pertencemos a uma raça absolutamente inútil no planeta Terra. Sim, temos mestrados, doutoramentos e montes de amigos estrangeiros com nomes exóticos. Sim, podemos ter acesso às melhores histórias da imprensa mundial, apenas adicionando as respectivas páginas aos nossos favoritos. Sim, é-nos possível, com um só clique, ajudar o Banco Alimentar a comprar um pacote de massa. Mas também nos é inevitavelmente esfregado na cara, numa base diária, que muitos dos nossos conhecimentos se interessam por:

- fotografar petiscos nojentos que, muito orgulhosamente, cozinharam sozinhos (é frequente, nesta categoria, caberem pessoas para quem alguém sempre cozinhou, e se sentem muito satisfeitos por, uma vez na vida, terem feito alguma coisa com um fogão e um frasco de sal);
- partilhar frases-clichés, com um fundo rosa ou bege;
- bradar aos quatro ventos observações tais como “está a chover” ou “tenho uma micose”, aquele tipo de coisa de que precisamos urgentemente saber por uma questão de sobrevivência;
- fazer petições online por nenhuma razão aparente;
- pôr fotografias de gajas/os muito mais giros do que o próprio, porque o mundo tem imperativamente de saber sobre as suas angústias sexuais;
- Salvem este cão! Que não existe, mas está a morrer de fome. Com um só clique, podemos fazer com que este link absolutamente inútil dê a volta ao mundo e todos realizemos até que ponto somos estúpidos e facilmente manipuláveis.

Mas claro, agora respondem-me: cala-te, tu também tens Facebook. Pois tenho e há dias em que me sinto realmente mal com isso. A mim, também, me afecta o ego. Agora com licença, que o meu cão está a dormir de uma maneira super-fofinha e é urgente comunicá-lo a todos os meus conhecimentos.